Icterícia Colestática Neonatal: Diagnóstico e Manejo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

RN a termo, com 25 dias de vida, apresenta icterícia desde o início da segunda semana de vida, com piora progressiva. Há 3 dias passou a apresentar urina de cor escura e fezes esbranquiçadas. AP: pré-natal e parto sem intercorrências. Exame físico: peso e estatura adequados para a idade, BEG, ictérico 4+/4, fígado palpável a 3 cm do RCD, com consistência normal. A hipótese diagnóstica e o exame mais adequado para a definição da etiologia são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) icterícia colestática; biópsia hepática percutânea guiada por ultrassonografia.
  2. B) icterícia fisiológica do RN; dosagem de bilirrubinas séricas.
  3. C) colestase; dosagem de bilirrubinas séricas.
  4. D) colestase de causa intra-hepática; colangiorressonância magnética.

Pérola Clínica

RN com icterícia >14 dias, fezes acólicas e urina escura → suspeitar colestase neonatal; biópsia hepática é padrão ouro para etiologia.

Resumo-Chave

A icterícia que persiste após 14 dias de vida em um RN a termo, especialmente quando acompanhada de fezes esbranquiçadas (acolia fecal) e urina escura (colúria), é um sinal de alarme para colestase neonatal. A colestase é uma emergência pediátrica e a biópsia hepática percutânea é o exame mais definitivo para diferenciar suas causas, como a atresia de vias biliares, que requer intervenção cirúrgica precoce.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é um achado comum, mas a persistência além de 14 dias de vida em um recém-nascido a termo (ou 21 dias em prematuros) é um sinal de alarme que exige investigação imediata para descartar colestase. A colestase neonatal é uma condição patológica caracterizada pela diminuição ou interrupção do fluxo biliar, resultando no acúmulo de bilirrubina direta (conjugada) no sangue. O quadro clínico de icterícia prolongada, associado a fezes esbranquiçadas (acolia fecal) e urina escura (colúria), é altamente sugestivo de colestase. A acolia fecal indica obstrução do fluxo biliar para o intestino, enquanto a colúria resulta da excreção renal da bilirrubina conjugada. A hepatomegalia também pode estar presente. A diferenciação etiológica da colestase é crítica, pois algumas causas, como a atresia de vias biliares, requerem intervenção cirúrgica urgente (procedimento de Kasai) para evitar cirrose biliar e falência hepática. A biópsia hepática percutânea, guiada por ultrassonografia, é considerada o exame mais definitivo para estabelecer a etiologia da colestase, fornecendo informações histopatológicas cruciais para o diagnóstico e manejo. A agilidade no diagnóstico e tratamento é fundamental para o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para icterícia colestática em RN?

Os principais sinais de alerta são icterícia que persiste após 14 dias de vida em RN a termo (ou 21 dias em prematuros), fezes esbranquiçadas (acolia fecal), urina escura (colúria) e hepatomegalia.

Por que a atresia de vias biliares é uma emergência na colestase neonatal?

A atresia de vias biliares é uma emergência porque requer intervenção cirúrgica (procedimento de Kasai) antes dos 60 dias de vida para maximizar as chances de sucesso e evitar danos hepáticos irreversíveis, como cirrose biliar.

Qual o papel da dosagem de bilirrubinas na icterícia colestática?

A dosagem de bilirrubinas séricas é crucial para confirmar a colestase, que é definida por uma bilirrubina direta (ou conjugada) > 1 mg/dL se a bilirrubina total for < 5 mg/dL, ou > 20% da bilirrubina total se a bilirrubina total for > 5 mg/dL.

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