Colestase Neonatal: Diagnóstico e Manejo Essencial

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Neonato de 21 dias de vida, com quadro de icterícia progressiva de início aos 15 dias de vida, colúria e hipocolia fecal, sem febre. Trazido ao PA infantil, onde você avaliou e aventou a hipótese de colestase neonatal. Sobre tal achado clínico, julgue os itens que seguem.I. Ao exame físico, é provável que seja encontrada hepatomegalia, além dos sinais relatados anteriormente.II. Nos casos de colestase, assim como na icterícia neonatal fisiológica, ocorre aumento de bilirrubina indireta (não conjugada). A diferenciação dessas etiologias se dá primordialmente pela data de início dos sintomas: quando mais tardio, maior a chance de causa patológica.III. As causas para tal quadro clínico podem ser lesão no hepatócito ou obstrução dos ductos biliares. Em ambos casos, é importante administrar Vitamina K ao paciente, para prevenção de hemorragia.Pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) todos os itens estão corretos.
  2. B) apenas os itens I e II estão corretos.
  3. C) apenas os itens I e III estão corretos.
  4. D) apenas os itens II e III estão corretos.
  5. E) nenhum dos itens está correto.

Pérola Clínica

Colestase neonatal: icterícia progressiva >14 dias, colúria, hipocolia, ↑ bilirrubina direta. Hepatomegalia e Vit K são cruciais.

Resumo-Chave

A colestase neonatal é caracterizada por icterícia prolongada com predomínio de bilirrubina direta, colúria e hipocolia fecal. A hepatomegalia é um achado comum e a suplementação de Vitamina K é essencial para prevenir coagulopatias devido à má absorção de vitaminas lipossolúveis.

Contexto Educacional

A colestase neonatal é uma condição grave caracterizada pela diminuição ou interrupção do fluxo biliar, resultando em acúmulo de bilirrubina conjugada (direta) no sangue. Sua incidência é de aproximadamente 1 em 2.500 nascidos vivos e é crucial para o residente reconhecer seus sinais precocemente, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a danos hepáticos irreversíveis, como cirrose biliar. Clinicamente, manifesta-se por icterícia que persiste além de 14 dias de vida, associada a colúria e hipocolia fecal. Ao exame físico, é comum encontrar hepatomegalia. As causas são diversas, incluindo atresia de vias biliares (a mais comum e urgente), deficiência de alfa-1 antitripsina, cistos de colédoco, infecções congênitas e distúrbios metabólicos. A elevação da bilirrubina direta é o marcador laboratorial chave para o diagnóstico. O tratamento depende da etiologia, mas a suplementação de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) é fundamental para todos os pacientes com colestase, devido à má absorção. A Vitamina K é particularmente importante para prevenir coagulopatias. No caso de atresia de vias biliares, a cirurgia de Kasai deve ser realizada o mais precocemente possível (idealmente antes dos 60 dias de vida) para melhorar o prognóstico e evitar a necessidade de transplante hepático.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da colestase neonatal?

Os principais sinais incluem icterícia progressiva que persiste após 14 dias de vida, colúria (urina escura) e hipocolia ou acolia fecal (fezes claras ou brancas). Hepatomegalia é um achado comum ao exame físico.

Por que a suplementação de Vitamina K é crucial em neonatos com colestase?

A Vitamina K é uma vitamina lipossolúvel, e na colestase, há má absorção de gorduras e, consequentemente, das vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). A deficiência de Vitamina K pode levar a coagulopatias graves e hemorragias, sendo a suplementação profilática essencial.

Como diferenciar a icterícia fisiológica da colestase neonatal?

A icterícia fisiológica é de predomínio indireto, aparece após 24h de vida e geralmente se resolve em 14 dias. A colestase, por outro lado, é de predomínio direto (bilirrubina conjugada >20% do total ou >1 mg/dL se total <5 mg/dL), é progressiva, e sempre patológica, exigindo investigação urgente.

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