Hepatopatias na Gravidez: Diagnóstico e Manejo Clínico

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023

Enunciado

As hepatopatias da gravidez são um conjunto de condições potencialmente graves, que podem comprometer tanto a mãe quanto o feto. Considerando esse grupo de doenças, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A colestase intra hepática da gravidez se caracteriza pelo prurido intenso, e além de muito incômoda, pode elevar os riscos de morbi-mortalidade fetal e perinatal.
  2. B) A esteato-hepatite gestacional é extremamente grave, sendo a causa mais frequente de falência hepática na gestação.
  3. C) O diagnóstico laboratorial da colestase intra-hepática da gestação se baseia na identificação de elevação nos níveis séricos de bilirrubinas, achado laboratorial mais precoce nessa condição.
  4. D) Observa-se maior incidência de esteato hepatite gestacional no terceiro trimestre da gestação.

Pérola Clínica

Colestase intra-hepática da gravidez: prurido intenso + ↑ ácidos biliares séricos (diagnóstico precoce). Bilirrubinas ↑ tardiamente.

Resumo-Chave

A colestase intra-hepática da gravidez é diagnosticada primariamente pela elevação dos ácidos biliares séricos, que é o achado laboratorial mais precoce e sensível. A elevação das bilirrubinas ocorre em um estágio mais avançado da doença, não sendo o marcador inicial.

Contexto Educacional

As hepatopatias da gravidez representam um grupo heterogêneo de condições que podem ser específicas da gestação ou exacerbações de doenças preexistentes. A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) e a esteato-hepatite gestacional (EHOG) são duas das mais importantes, com potencial de morbimortalidade materna e fetal significativa. A CIHG é caracterizada por prurido intenso e elevação dos ácidos biliares séricos, enquanto a EHOG é uma condição rara, mas grave, que pode levar à falência hepática aguda. O diagnóstico da CIHG é primariamente clínico (prurido) e laboratorial, com a dosagem dos ácidos biliares séricos sendo o marcador mais precoce e confiável. A elevação das bilirrubinas e transaminases pode ocorrer, mas geralmente é um achado mais tardio. A EHOG, por sua vez, manifesta-se no terceiro trimestre com sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos, dor abdominal e icterícia, progredindo rapidamente para disfunção hepática grave. O manejo das hepatopatias na gravidez exige monitoramento rigoroso materno e fetal. Na CIHG, o tratamento visa aliviar o prurido e reduzir os riscos fetais, frequentemente com ácido ursodesoxicólico. Na EHOG, o tratamento é de suporte, muitas vezes exigindo internação em UTI e, em casos graves, transplante hepático. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para otimizar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colestase intra-hepática da gravidez?

O sintoma mais característico é o prurido intenso, predominantemente noturno e nas palmas das mãos e plantas dos pés, sem lesões cutâneas primárias.

Qual o achado laboratorial mais precoce na colestase intra-hepática da gravidez?

O achado laboratorial mais precoce e sensível é a elevação dos ácidos biliares séricos totais, que deve ser o foco diagnóstico inicial.

Quais os riscos fetais associados à colestase intra-hepática da gravidez?

A colestase intra-hepática da gravidez aumenta o risco de parto prematuro, sofrimento fetal, aspiração de mecônio e morte fetal intrauterina.

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