Colestase Intra-Hepática da Gravidez: Diagnóstico e Prognóstico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Uma gestante no curso da 28º semana passou a desenvolver prurido generalizado, além de elevação de enzimas hepáticas, sem icterícia. Até o momento, a gestação transcorria sem qualquer intercorrência. Seus exames mostravam aminotransferases cerca de 4 vezes o limite superior da normalidade (LSN), fosfatase alcalina cerca de 3 vezes o LSN, como valores de gamaGT e bilirrubinas normais. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) É necessária a interrupção urgente da gestação devido ao risco de desenvolver insuficiência hepática aguda.
  2. B) Não há terapia específica para controle dos sintomas; a interrupção da gestação é a única opção terapêutica.
  3. C) Caso haja retardo na interrupção da gestação, a paciente poderá evoluir com colestase crônica.
  4. D) O prurido tende a desaparecer rapidamente após o parto.
  5. E) A paciente precisará ser rigorosamente acompanhada após o parto, para monitorizar o desenvolvimento de complicações crônicas.

Pérola Clínica

Colestase Intra-Hepática da Gravidez (CIHG) → prurido + ↑ enzimas hepáticas + ácidos biliares ↑. Sintomas resolvem pós-parto.

Resumo-Chave

O quadro descrito é clássico de Colestase Intra-Hepática da Gravidez (CIHG), uma condição reversível que se manifesta no segundo ou terceiro trimestre. O prurido, principal sintoma, e as alterações hepáticas tendem a desaparecer espontaneamente e rapidamente após o parto, sem deixar sequelas crônicas para a mãe.

Contexto Educacional

A Colestase Intra-Hepática da Gravidez (CIHG) é uma condição hepática específica da gestação, caracterizada por prurido materno e elevação dos ácidos biliares séricos, com ou sem alterações de outras enzimas hepáticas. Geralmente se manifesta no segundo ou terceiro trimestre e tem uma etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. É a hepatopatia mais comum da gravidez, com prevalência variável globalmente. O diagnóstico da CIHG é clínico e laboratorial. O prurido, que pode ser intenso e debilitante, é o sintoma mais proeminente. Laboratorialmente, observa-se elevação das aminotransferases (ALT/AST) e fosfatase alcalina, mas o marcador diagnóstico mais sensível e específico são os ácidos biliares séricos elevados. A icterícia é rara. Embora a CIHG não cause insuficiência hepática materna, ela está associada a riscos fetais significativos, como parto prematuro, sofrimento fetal e morte intrauterina. O tratamento visa aliviar o prurido materno com ácido ursodeoxicólico e monitorar o bem-estar fetal. A boa notícia para a mãe é que a CIHG é uma condição benigna e autolimitada para ela: o prurido e as alterações hepáticas regridem espontaneamente e rapidamente após o parto, geralmente em poucos dias, sem deixar sequelas hepáticas crônicas. O acompanhamento pós-parto é importante para confirmar a normalização dos exames e aconselhar sobre o risco de recorrência em futuras gestações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas e achados laboratoriais da Colestase Intra-Hepática da Gravidez (CIHG)?

O sintoma cardinal é o prurido generalizado, predominantemente noturno e nas palmas das mãos e solas dos pés, sem lesões cutâneas primárias. Laboratorialmente, há elevação das aminotransferases e, principalmente, dos ácidos biliares séricos, que são o marcador diagnóstico mais específico.

Quais são os riscos da CIHG para o feto?

A CIHG está associada a um risco aumentado de parto prematuro espontâneo, mecônio no líquido amniótico, sofrimento fetal e morte fetal intrauterina, especialmente em casos de ácidos biliares muito elevados.

Qual o tratamento e manejo da CIHG?

O tratamento visa aliviar o prurido materno e reduzir os riscos fetais. O ácido ursodeoxicólico é a medicação de escolha. O manejo inclui monitoramento fetal rigoroso e, em alguns casos, a indução do parto em torno de 37-38 semanas, dependendo da gravidade e dos níveis de ácidos biliares.

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