CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 35 anos, gestante de 12 semanas, procura atendimento com queixa de prurido intenso nas palmas das mãos e na planta dos pés. Ela não apresenta erupções cutâneas, mas os exames laboratoriais mostram níveis elevados de ácidos biliares. Qual a conduta mais apropriada para essa condição segundo as diretrizes em ginecologia e obstetrícia?
Prurido palmo-plantar + ↑ ácidos biliares na gestação = Colestase Intra-hepática da Gravidez → Ursodiol + monitoramento.
A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) é caracterizada por prurido intenso (especialmente palmo-plantar, pior à noite) e elevação dos ácidos biliares séricos, sem lesões cutâneas primárias. O tratamento visa reduzir os ácidos biliares e o risco fetal, sendo o ácido ursodesoxicólico (ursodiol) a terapia de primeira linha, acompanhada de monitoramento da função hepática.
A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) é uma condição hepática específica da gestação, caracterizada por prurido intenso, geralmente no segundo ou terceiro trimestre, sem lesões cutâneas primárias, e elevação dos ácidos biliares séricos. Embora seja uma condição benigna para a mãe, pode ter implicações graves para o feto, incluindo aumento do risco de parto prematuro, sofrimento fetal e morte fetal inexplicada. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. O diagnóstico da CIHG é clínico e laboratorial. A paciente tipicamente apresenta prurido generalizado, com predomínio em palmas e plantas, que piora à noite. O exame físico é geralmente normal, sem erupções. O diagnóstico é confirmado pela elevação dos ácidos biliares séricos totais, que é o marcador mais sensível e específico. As transaminases hepáticas também podem estar elevadas, mas a icterícia é menos comum. A conduta mais apropriada envolve o tratamento farmacológico com ácido ursodesoxicólico (ursodiol), que é a droga de escolha. O ursodiol melhora o prurido materno e, mais importante, reduz os níveis de ácidos biliares no sangue materno e fetal, diminuindo os riscos para o feto. Além disso, é fundamental o monitoramento rigoroso da função hepática materna e do bem-estar fetal, que pode incluir cardiotocografia e perfil biofísico, especialmente em gestações mais avançadas, para identificar sinais de comprometimento fetal e planejar o momento ideal do parto.
O sintoma principal é o prurido intenso, predominantemente nas palmas das mãos e plantas dos pés, pior à noite, sem lesões cutâneas primárias. Laboratorialmente, há elevação dos ácidos biliares séricos, e em alguns casos, das transaminases.
O tratamento de primeira linha é o ácido ursodesoxicólico (ursodiol), que melhora o prurido materno e reduz os níveis de ácidos biliares, diminuindo os riscos de complicações fetais.
Os principais riscos fetais incluem parto prematuro espontâneo, sofrimento fetal agudo, líquido amniótico meconial e, em casos graves, morte fetal inexplicada. O monitoramento fetal rigoroso é crucial.
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