Colestase Intra-hepática da Gravidez: Manejo e Riscos

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 35 anos, gestante de 12 semanas, procura atendimento com queixa de prurido intenso nas palmas das mãos e na planta dos pés. Ela não apresenta erupções cutâneas, mas os exames laboratoriais mostram níveis elevados de ácidos biliares. Qual a conduta mais apropriada para essa condição segundo as diretrizes em ginecologia e obstetrícia?

Alternativas

  1. A) Prescrever medicamentos para controle dos ácidos biliares e monitorar a função hepática regularmente.
  2. B) Recomendar banhos de aveia e observar a evolução dos sintomas.
  3. C) Encaminhar para internação e monitoramento diário dos ácidos biliares.
  4. D) Aguardar até o segundo trimestre para iniciar qualquer intervenção.

Pérola Clínica

Prurido palmo-plantar + ↑ ácidos biliares na gestação = Colestase Intra-hepática da Gravidez → Ursodiol + monitoramento.

Resumo-Chave

A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) é caracterizada por prurido intenso (especialmente palmo-plantar, pior à noite) e elevação dos ácidos biliares séricos, sem lesões cutâneas primárias. O tratamento visa reduzir os ácidos biliares e o risco fetal, sendo o ácido ursodesoxicólico (ursodiol) a terapia de primeira linha, acompanhada de monitoramento da função hepática.

Contexto Educacional

A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) é uma condição hepática específica da gestação, caracterizada por prurido intenso, geralmente no segundo ou terceiro trimestre, sem lesões cutâneas primárias, e elevação dos ácidos biliares séricos. Embora seja uma condição benigna para a mãe, pode ter implicações graves para o feto, incluindo aumento do risco de parto prematuro, sofrimento fetal e morte fetal inexplicada. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais. O diagnóstico da CIHG é clínico e laboratorial. A paciente tipicamente apresenta prurido generalizado, com predomínio em palmas e plantas, que piora à noite. O exame físico é geralmente normal, sem erupções. O diagnóstico é confirmado pela elevação dos ácidos biliares séricos totais, que é o marcador mais sensível e específico. As transaminases hepáticas também podem estar elevadas, mas a icterícia é menos comum. A conduta mais apropriada envolve o tratamento farmacológico com ácido ursodesoxicólico (ursodiol), que é a droga de escolha. O ursodiol melhora o prurido materno e, mais importante, reduz os níveis de ácidos biliares no sangue materno e fetal, diminuindo os riscos para o feto. Além disso, é fundamental o monitoramento rigoroso da função hepática materna e do bem-estar fetal, que pode incluir cardiotocografia e perfil biofísico, especialmente em gestações mais avançadas, para identificar sinais de comprometimento fetal e planejar o momento ideal do parto.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas e achados laboratoriais da colestase intra-hepática da gravidez?

O sintoma principal é o prurido intenso, predominantemente nas palmas das mãos e plantas dos pés, pior à noite, sem lesões cutâneas primárias. Laboratorialmente, há elevação dos ácidos biliares séricos, e em alguns casos, das transaminases.

Qual é o tratamento de primeira linha para a colestase intra-hepática da gravidez?

O tratamento de primeira linha é o ácido ursodesoxicólico (ursodiol), que melhora o prurido materno e reduz os níveis de ácidos biliares, diminuindo os riscos de complicações fetais.

Quais são os riscos fetais associados à colestase intra-hepática da gravidez?

Os principais riscos fetais incluem parto prematuro espontâneo, sofrimento fetal agudo, líquido amniótico meconial e, em casos graves, morte fetal inexplicada. O monitoramento fetal rigoroso é crucial.

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