Colestase na Gravidez: Marcador de Risco Fetal

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

A colestase intra-hepática da gravidez é a doença hepática mais comum ocorrida durante a gestação e está associada a desfechos obstétricos desfavoráveis. O marcador bioquímico mais frequentemente associado às repercussões de aumento de risco fetal é:

Alternativas

  1. A) gama glutamiltransferase
  2. B) fosfatase alcalina
  3. C) ácidos biliares
  4. D) ácido úrico

Pérola Clínica

Colestase intra-hepática da gravidez → ↑ ácidos biliares = ↑ risco fetal.

Resumo-Chave

Na colestase intra-hepática da gravidez, o aumento dos ácidos biliares séricos é o principal marcador bioquímico associado ao risco de desfechos fetais adversos, como parto prematuro, sofrimento fetal e morte intrauterina. O monitoramento desses níveis é crucial para o manejo da gestação.

Contexto Educacional

A colestase intra-hepática da gravidez (CIGH), também conhecida como colestase obstétrica, é a doença hepática mais comum específica da gestação, afetando cerca de 0,4% a 1% das gestações. Caracteriza-se por prurido materno sem lesões cutâneas primárias e elevação dos ácidos biliares séricos, com ou sem alterações de outras enzimas hepáticas. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais (estrogênios e progesterona) e ambientais, que levam a uma disfunção no transporte de ácidos biliares no fígado. O diagnóstico da CIGH é clínico e laboratorial. O prurido, que geralmente se inicia no terceiro trimestre, é o sintoma cardinal, podendo ser incapacitante. Laboratorialmente, o diagnóstico é confirmado pela elevação dos ácidos biliares séricos totais em jejum, com valores acima de 10 µmol/L. Níveis acima de 40 µmol/L são associados a um risco significativamente maior de desfechos fetais adversos. Outras enzimas hepáticas, como transaminases (ALT, AST) e fosfatase alcalina, podem estar elevadas, mas não são marcadores diretos do risco fetal. A CIGH está associada a desfechos obstétricos desfavoráveis, principalmente relacionados ao feto. Os riscos incluem parto prematuro espontâneo ou iatrogênico, sofrimento fetal agudo, aspiração de mecônio e, a complicação mais grave, morte fetal intrauterina. O tratamento visa aliviar o prurido materno e, mais importante, reduzir os níveis de ácidos biliares para minimizar os riscos fetais. O ácido ursodesoxicólico (ursodiol) é a medicação de escolha, e o manejo da gestação frequentemente envolve monitoramento fetal rigoroso e, em alguns casos, a antecipação do parto, especialmente se os níveis de ácidos biliares forem muito elevados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da colestase intra-hepática da gravidez?

O sintoma mais comum é o prurido intenso, predominantemente nas palmas das mãos e plantas dos pés, que piora à noite. Pode haver icterícia em casos mais graves, mas é menos frequente.

Qual o tratamento para a colestase intra-hepática da gravidez?

O tratamento principal é o ácido ursodesoxicólico (ursodiol), que melhora o prurido materno e reduz os níveis de ácidos biliares, diminuindo o risco de complicações fetais. O monitoramento fetal rigoroso também é essencial.

Quais são os riscos fetais associados à colestase intra-hepática da gravidez?

Os riscos incluem parto prematuro espontâneo ou iatrogênico, sofrimento fetal, aspiração de mecônio e, em casos graves, morte fetal intrauterina. O risco aumenta com níveis mais elevados de ácidos biliares.

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