HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Mulher de 29 anos, sem antecedentes mórbidos, vai ao pronto-socorro com dor abdominal, icterícia e náuseas há 3 dias. Refere ter sido submetida, há sete dias, a uma colecistectomia VLP e desde então apresentou quadro progressivo de dor abdominal difusa, parada de eliminação de gases e fezes, distensão abdominal e icterícia, com dor em ombro direito, desde o 3º PO. Ao Exame Físico BEG, corada, hidratada, ictérica 2+/4, acianótica. Hemodinamicamente estável. Seu abdome estava distendido doloroso à palpação profunda. DB negativos. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 14 g/dL, Plaquetas: 350.000. Leucócitos 12.800 mm³, sem desvio. U: 29.6 UI. Cr: 0.4 mg/dL. Na 142 mEQ/L, K: 4,5 mEq/L. AST: 138 UI. ALT: 511 UI. GGT: 218 UI FA: 152 UI. BT: 7,3 mg/dL, BD: 5,6 mg/dL, BI: 1.7 mg/dL. Foi submetida a uma tomografia cujas imagens seguem:O diagnóstico mais provável e a melhor conduta a ser adotada nesse caso:
Colecistectomia VLP + dor abdominal progressiva + icterícia + distensão + elevação BD → Coleperitônio.
A tríade de dor abdominal, icterícia e distensão, com elevação de bilirrubina direta e enzimas hepáticas, após colecistectomia, sugere extravasamento biliar. A dor em ombro direito é um sinal de irritação diafragmática pelo líquido biliar. A videolaparoscopia diagnóstica é essencial para confirmar e tratar o coleperitônio.
O coleperitônio é uma complicação rara, porém grave, da colecistectomia, especialmente a videolaparoscópica, que pode ocorrer devido a vazamento biliar de um ducto acessório não ligado, lesão da via biliar principal ou extravasamento do coto cístico. Sua incidência é baixa, mas o reconhecimento precoce é crucial para evitar morbidade e mortalidade significativas. A apresentação clínica pode ser insidiosa, com dor abdominal progressiva, distensão, náuseas e, em casos mais avançados, icterícia e sinais de peritonite. O diagnóstico de coleperitônio baseia-se na suspeita clínica em pacientes com dor abdominal pós-colecistectomia, associada a exames laboratoriais que mostram elevação de bilirrubina direta e enzimas hepáticas, e achados de imagem. A tomografia computadorizada ou ultrassonografia abdominal podem evidenciar líquido livre na cavidade. A dor referida no ombro direito é um sinal clássico de irritação diafragmática pelo líquido biliar, indicando irritação peritoneal. A conduta para coleperitônio geralmente envolve a drenagem do líquido biliar da cavidade abdominal, seja por punção guiada por imagem ou, mais comumente, por videolaparoscopia diagnóstica e terapêutica. A identificação e o reparo da fístula biliar são essenciais, podendo envolver ligadura, clipagem ou, em casos complexos, derivações biliares. O tratamento precoce é fundamental para prevenir sepse biliar e outras complicações graves, otimizando o prognóstico do paciente.
Os sinais incluem dor abdominal progressiva, distensão abdominal, icterícia, náuseas, febre e dor referida no ombro direito devido à irritação diafragmática pelo líquido biliar. A apresentação pode ser insidiosa, mas a progressão é comum.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, exames laboratoriais e de imagem (tomografia ou ultrassonografia). A videolaparoscopia diagnóstica é frequentemente necessária para confirmar o extravasamento biliar e realizar a drenagem, além de identificar a origem da fístula.
O coleperitônio se distingue pela presença de icterícia (principalmente direta), elevação de enzimas hepáticas e achados de líquido livre na cavidade abdominal com características biliares. Abscessos podem não ter icterícia e colangite geralmente cursa com febre alta e calafrios, sem necessariamente extravasamento livre.
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