Colelitíase Sintomática: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Homem de 33 anos procurou atendimento por dor em cólica, de forte intensidade, em hipocôndrio direito, iniciada havia 3 meses, com irradiação para abdome superior e dorso. Informou que alguns episódios melhoravam com o uso de analgésicos orais. Em diversas ocasiões, havia sido atendido em unidade de emergência, sendo submetido a analgesia intravenosa, devido à intensidade da dor. Relatou, ainda, que as crises dolorosas são associadas a náuseas e vômitos e desencadeadas pela ingestão de alimentos gordurosos. Negou icterícia, colúria e acolia fecal. Apresenta ritmo intestinal e aspecto das fezes normais. No exame físico, estava em bom estado geral, consciente, contactuante, orientado no tempo e no espaço, normocorado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril, com frequência cardíaca de 64 batimentos por minuto, frequência respiratória de 16 incursões respiratórias por minuto, pressão arterial de 120 × 80 mmHg, abdome plano, ruídos hidroaéreos presentes e normais, timpânico, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, sem sinais de irritação peritoneal, ausência de visceromegalias ou massas, sinal de Murphy negativo.Realizou exames laboratoriais, cujos resultados foram os seguintes.- Hemograma: hemoglobina = 16, 1g/dL; hematócrito = 49,8%; leucócitos = 5.800 mm³; segmentados = 48,5%; linfócitos = 41,5%; plaquetas = 155.000/mm³; coagulação: TP = 13,3 segundos; RNI = 1,09.- Urina: tipo 1 sem alterações.- Bioquímica: glicemia de jejum = 83mg/dL; AST = 35 UI/L (valor de referência [VR] de 17-59); ALT = 46 UI/L (VR: 21- 72); amilase = 100 UI/L (VR: 20-160); bilirrubina total = 0,8 mg/dL; bilirrubina direta = 0,5 mg/dL; bilirrubina indireta = 0,3 mg/dL.Com base no caso descrito, assinale a opção que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta mais apropriada, respectivamente.

Alternativas

  1. A) Coledocolitíase; colangiografia endoscópica.
  2. B) Colecistite aguda calculosa; ultrassonografia.
  3. C) Pólipo da vesícular biliar; colangiorressonância.
  4. D) Colelitíase; colecistectomia videolaparoscópica.

Pérola Clínica

Dor em cólica HD pós-prandial gordurosa, sem sinais de inflamação/obstrução biliar aguda = Colelitíase sintomática → Colecistectomia videolaparoscópica.

Resumo-Chave

A colelitíase sintomática se manifesta como cólica biliar, uma dor intensa no hipocôndrio direito, frequentemente pós-prandial (especialmente após refeições gordurosas), sem sinais de inflamação aguda (febre, leucocitose, Murphy positivo) ou obstrução biliar (icterícia, colúria). O tratamento definitivo é cirúrgico.

Contexto Educacional

A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição extremamente comum, mas que se torna clinicamente relevante quando sintomática. A manifestação mais característica é a cólica biliar, uma dor visceral intensa no hipocôndrio direito, frequentemente pós-prandial, especialmente após a ingestão de alimentos gordurosos, e que pode irradiar para o dorso ou ombro direito. A fisiopatologia da cólica biliar envolve a contração da vesícula biliar contra um cálculo impactado no ducto cístico, causando distensão e dor. É importante diferenciar a cólica biliar de outras complicações da colelitíase, como a colecistite aguda (inflamação da vesícula, com febre, leucocitose e sinal de Murphy positivo) ou a coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum, com icterícia e elevação de bilirrubinas). No caso de cólica biliar pura, os exames laboratoriais (hemograma, enzimas hepáticas, bilirrubinas, amilase) geralmente são normais. O diagnóstico da colelitíase é confirmado pela ultrassonografia abdominal. Para pacientes com colelitíase sintomática, o tratamento definitivo e mais apropriado é a colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica, devido à sua menor invasividade, menor tempo de recuperação e excelentes resultados a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da cólica biliar?

A cólica biliar é caracterizada por dor intensa e em cólica no hipocôndrio direito, que pode irradiar para o dorso ou escápula, frequentemente desencadeada por refeições gordurosas e associada a náuseas e vômitos.

Como diferenciar colelitíase sintomática de colecistite aguda?

Na colelitíase sintomática (cólica biliar), não há sinais de inflamação aguda: ausência de febre, leucocitose e sinal de Murphy negativo. Na colecistite aguda, há inflamação da vesícula, com dor persistente, febre, leucocitose e Murphy positivo.

Qual o exame de imagem de escolha para diagnosticar colelitíase?

A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para diagnosticar colelitíase, pois é não invasiva, de baixo custo e altamente sensível para detectar cálculos na vesícula biliar.

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