Colelitíase Sintomática: Manejo e Indicações Cirúrgicas

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 26 anos, obesa, comparece ao ambulatório com uma ultrassonografia evidenciando colelitíase. Refere apresentar discreto desconforto em hipocôndrio direito e epigástrio e plenitude após alimentação rica em gordura, mas que melhora com medicação no domicílio. Nega crises de dor intensa, vômitos e internações hospitalares. Ao exame físico, se apresenta em BEG, eupneica, afebril, anictérica, estável. Seu abdome é plano, flácido e indolor à palpação. Sobre o caso acima, qual das orientações a esta paciente pode ser considerada INCORRETA?

Alternativas

  1. A) Uma complicação possível da crise de inflamação na vesícula é a migração de um microcálculo para a via biliar principal, causando icterícia e indicando a realização de retirada deste cálculo por via endoscópica.
  2. B) A obesidade é considerada um fator predisponente para a formação de cálculos na vesícula, principalmente se estiver associada com elevados índices de colesterol no sangue.
  3. C) Uma dieta sem gorduras, tais como frituras, óleo e azeites, pode evitar que a senhora entre em crise de dor aguda e inflamação da vesícula até a programação da sua cirurgia laparoscópica.
  4. D) A senhora tem que operar essa vesícula o mais breve possível porque caso a senhora tenha uma crise aguda de dor e necessite cirurgia de urgência, esta não poderá ser realizada por laparoscopia.

Pérola Clínica

Colelitíase sintomática leve → Colecistectomia laparoscópica eletiva é padrão ouro; urgência não contraindica laparoscopia precoce.

Resumo-Chave

A colecistectomia laparoscópica é o tratamento de escolha para colelitíase sintomática. Mesmo em casos de colecistite aguda, a cirurgia laparoscópica é preferencial, especialmente se realizada nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, devido aos menores riscos e recuperação mais rápida.

Contexto Educacional

A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição comum, especialmente em mulheres, obesos e pacientes com dislipidemia. A maioria dos pacientes é assintomática, mas quando os cálculos causam sintomas como dor biliar (cólica biliar) ou complicações, o tratamento cirúrgico é indicado. A obesidade é um fator de risco bem estabelecido devido à alteração na composição da bile. O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia abdominal. A colecistectomia laparoscópica é o padrão ouro para o tratamento da colelitíase sintomática, oferecendo menor tempo de internação e recuperação mais rápida. A dieta com restrição de gorduras pode aliviar os sintomas até a cirurgia, mas não resolve a causa. Complicações como a migração de cálculos para a via biliar principal (coledocolitíase), causando icterícia e colangite, exigem intervenção, muitas vezes por CPRE. É crucial entender que a colecistectomia laparoscópica pode ser realizada em caráter de urgência para colecistite aguda, especialmente se realizada precocemente, e não é contraindicada pela urgência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da colelitíase sintomática?

Os sintomas incluem dor em hipocôndrio direito ou epigástrio, plenitude pós-prandial, náuseas e intolerância a alimentos gordurosos, geralmente após refeições.

Quando a colecistectomia laparoscópica é indicada para colelitíase?

É indicada para pacientes com colelitíase sintomática, colecistite aguda (preferencialmente nas primeiras 72h), ou complicações como coledocolitíase e pancreatite biliar.

Quais as principais complicações da colelitíase não tratada?

As complicações incluem colecistite aguda, coledocolitíase, colangite, pancreatite biliar e, raramente, câncer de vesícula biliar.

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