Colelitíase em Diabéticos: Quando Indicar Cirurgia Eletiva?

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher com 61 anos de idade, acompanhada pela filha, foi atendida em ambulatório de hospital secundário referindo ter apresentado dor no hipocôndrio direito e vômitos por 3 dias, há 30 dias. Relatava fazer uso de metformina 500 mg, 2 vezes por dia e atenolol 50 mg por dia. Trouxe ultrassonografia que descrevia vesícula biliar com paredes discretamente espessadas e presença de colelitíase. Os exames laboratoriais evidenciaram glicemia de 120 mg/dL (referência: 75 a 99), creatinina 0,99 mg/dL (referência: 0,6 a 1,1), leucócitos 6 200/mm3 (referência: 3 500 a 10 500), não apresentava alteração na contagem diferencial dos leucócitos. Ao exame físico, o abdome estava flácido, não relatava dor à palpação, PA = 140/80 mmHg, temperatura axilar = 36,5 °C. Com base nos dados apresentados, qual alternativa apresenta a orientação correta à paciente e à filha sobre a conduta a ser seguida?

Alternativas

  1. A) Indicar tratamento operatório se apresentar dor novamente.
  2. B) Tratar as doenças clínicas e realizar controle com ultrassonografia anual.
  3. C) Encaminhar ao pronto-socorro para tratamento operatório.
  4. D) Compensar melhor a glicemia e indicar tratamento operatório eletivo. 

Pérola Clínica

Colelitíase sintomática + DM → colecistectomia eletiva + controle glicêmico.

Resumo-Chave

A paciente apresentou um quadro de colecistite aguda (dor em hipocôndrio direito, vômitos, espessamento da vesícula) que se resolveu espontaneamente. No entanto, a colelitíase sintomática, especialmente em diabéticos, tem alto risco de recorrência e complicações, justificando a colecistectomia eletiva após otimização das condições clínicas, como o controle glicêmico.

Contexto Educacional

A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição comum que pode ser assintomática ou manifestar-se com sintomas como cólica biliar, dor em hipocôndrio direito e vômitos. Quando sintomática, a colelitíase pode levar a complicações como colecistite aguda, coledocolitíase, colangite e pancreatite biliar. O diagnóstico é frequentemente feito por ultrassonografia abdominal, que revela a presença dos cálculos e sinais de inflamação da vesícula. A paciente do caso apresentou um quadro sugestivo de colecistite aguda que se resolveu espontaneamente, caracterizando uma colelitíase sintomática. A presença de diabetes mellitus é um fator de risco importante que modifica a abordagem terapêutica da colelitíase. Pacientes diabéticos têm maior probabilidade de desenvolver complicações graves da colelitíase, como colecistite gangrenosa e perfuração, e podem apresentar sintomas atípicos ou menos intensos, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. Dada a história de colelitíase sintomática e a presença de diabetes, a conduta mais apropriada é a indicação de colecistectomia eletiva. No entanto, antes da cirurgia, é fundamental otimizar as condições clínicas da paciente, com especial atenção ao controle glicêmico, pois um bom controle da glicemia reduz significativamente os riscos de complicações perioperatórias. A cirurgia eletiva permite um planejamento cuidadoso e minimiza os riscos associados a uma intervenção de emergência.

Perguntas Frequentes

Por que a colelitíase em pacientes diabéticos exige atenção especial?

Pacientes diabéticos com colelitíase têm maior risco de desenvolver colecistite aguda, complicações graves como gangrena e perfuração da vesícula biliar, e uma recuperação mais difícil de quadros agudos, justificando uma abordagem mais proativa.

Quais são os critérios para indicar uma colecistectomia eletiva na colelitíase?

A colecistectomia eletiva é indicada para pacientes com colelitíase sintomática (cólicas biliares, colecistite aguda resolvida) e, em alguns casos, para pacientes assintomáticos com fatores de risco como diabetes, cálculos grandes ou vesícula em porcelana, devido ao maior risco de complicações.

Qual a importância do controle glicêmico antes da cirurgia em pacientes diabéticos?

O controle glicêmico adequado antes de qualquer procedimento cirúrgico em pacientes diabéticos é crucial para reduzir o risco de complicações pós-operatórias, como infecções, cicatrização prejudicada e eventos cardiovasculares, otimizando o resultado cirúrgico.

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