HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Homem de 89 anos é admitido no pronto-socorro com quadro de dor em hipocôndrio direito, tipo cólica, há cerca de 4 horas. Hipertenso controlado, sem outras comorbidades. Realizou leucograma: 8200 leucócitos/mm³ (valor de referência: 3000-11000 céls./mm³) e exame ultrassonográfico, que mostra vesícula biliar normodistendida, sem espessamento de parede e dois cálculos móveis de 1,7 e 2,9 cm. Foi medicado com sintomáticos, com remissão completa da dor e liberado para acompanhamento ambulatorial. Qual a orientação de tratamento para esse paciente?
Colelitíase sintomática (cólica biliar) → colecistectomia laparoscópica, mesmo em idosos estáveis.
O paciente apresentou um episódio de cólica biliar, caracterizando colelitíase sintomática. Nesses casos, a colecistectomia laparoscópica é o tratamento definitivo e de escolha, independentemente da idade, desde que o paciente tenha condições clínicas para o procedimento. A remissão da dor com sintomáticos não exclui a necessidade de tratamento cirúrgico.
A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição extremamente comum. No entanto, a maioria dos pacientes é assintomática e não necessita de intervenção. A indicação de tratamento cirúrgico, a colecistectomia, surge quando a colelitíase se torna sintomática, manifestando-se principalmente como cólica biliar. A cólica biliar é uma dor visceral intensa no hipocôndrio direito ou epigástrio, que pode irradiar para o dorso ou ombro direito, geralmente desencadeada por refeições gordurosas. A fisiopatologia da cólica biliar envolve a impactação transitória de um cálculo no ducto cístico, causando distensão da vesícula biliar e dor. O ultrassom abdominal é o método diagnóstico de escolha para identificar os cálculos. No caso apresentado, o paciente teve um episódio típico de cólica biliar, mesmo com remissão da dor após sintomáticos, o que caracteriza a colelitíase como sintomática. O tratamento definitivo para colelitíase sintomática é a colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica, devido à menor morbidade, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. A idade avançada, como no caso do paciente de 89 anos, não é uma contraindicação absoluta, desde que o paciente tenha condições clínicas adequadas para o procedimento. Manter apenas acompanhamento clínico em pacientes sintomáticos aumenta o risco de recorrência da dor e de complicações graves como colecistite aguda, coledocolitíase ou pancreatite biliar. O ácido ursodesoxicólico e a litotripsia extracorpórea têm indicações muito restritas e baixa eficácia para a maioria dos casos de colelitíase sintomática.
A colelitíase é sintomática quando causa cólica biliar, uma dor intensa e intermitente no hipocôndrio direito, geralmente pós-prandial. A conduta padrão para colelitíase sintomática é a colecistectomia, preferencialmente por via laparoscópica, para prevenir recorrências e complicações.
O ácido ursodesoxicólico pode ser usado para dissolver cálculos pequenos e não calcificados em pacientes que recusam ou têm contraindicação cirúrgica, mas tem baixa taxa de sucesso. A litotripsia extracorpórea é raramente indicada para cálculos biliares e tem eficácia limitada. A colecistectomia é o tratamento definitivo.
Não necessariamente. A idade avançada por si só não é uma contraindicação. A decisão cirúrgica em idosos deve considerar o estado geral de saúde do paciente, comorbidades e risco cirúrgico individualizado. Em pacientes estáveis, a colecistectomia laparoscópica é segura e eficaz.
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