Colelitíase na Gestação: Fatores de Risco e Manejo

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante de 26 anos de idade, IG de nove semanas, G2P1A0, retorna à UBS para consulta de pré-natal. Apresenta queixa de azia, constipação e desconforto esporádico em quadrante superior direito do abdome. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, abdome indolor, útero impalpável e BCF inaudíveis, Frequência cardíaca = 90 bpm, frequência respiratória = 17 ipm, SatO₂ = 98% em ar ambiente. Leva calendário vacinal com esquema completo para hepatite B e três doses da dupla adulto (dT), realizadas na última gestação, há três anos. Entre os exames complementares, destacam-se os seguintes resultados: EQU sem particularidades; e urocultura - crescimento de Streptococcus do grupo B > 100.000 UFC/mL. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Deve-se atentar ao surgimento de sinais e sintomas sugestivos de colelitíase, uma vez que a gestação aumenta a incidência de cálculos biliares.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Gestação ↑ risco de colelitíase devido a alterações hormonais (progesterona, estrogênio) que promovem estase biliar e supersaturação de colesterol.

Resumo-Chave

A gestação é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de colelitíase e suas complicações, como colecistite. As alterações hormonais, principalmente o aumento da progesterona, levam à diminuição da motilidade da vesícula biliar e estase biliar, favorecendo a formação de cálculos.

Contexto Educacional

A colelitíase é uma condição comum na população geral, e a gestação é um fator de risco bem estabelecido para seu desenvolvimento e para exacerbações de doença biliar preexistente. A importância clínica reside na necessidade de reconhecer os sintomas e manejar adequadamente para evitar complicações graves tanto para a mãe quanto para o feto. A fisiopatologia da colelitíase na gestação está ligada às alterações hormonais. O aumento dos níveis de progesterona causa relaxamento da musculatura lisa da vesícula biliar, resultando em estase biliar e esvaziamento incompleto. O estrogênio, por sua vez, aumenta a secreção de colesterol na bile, levando à supersaturação e precipitação de cristais. A suspeita deve surgir em gestantes com dor abdominal em quadrante superior direito, náuseas e vômitos. O tratamento da colelitíase sintomática na gestação é inicialmente conservador, com dieta e analgésicos. Em casos de colecistite aguda ou complicações, a colecistectomia laparoscópica pode ser considerada, preferencialmente no segundo trimestre. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas a atenção é crucial para evitar pancreatite biliar ou colangite.

Perguntas Frequentes

Quais hormônios gestacionais influenciam a formação de cálculos biliares?

A progesterona, ao relaxar a musculatura lisa, diminui a motilidade da vesícula biliar, causando estase. O estrogênio aumenta a secreção de colesterol na bile, favorecendo a supersaturação e formação de cálculos.

Quais sintomas podem sugerir colelitíase em uma gestante?

Sintomas como dor em quadrante superior direito do abdome, irradiando para o dorso ou ombro, náuseas, vômitos e intolerância a alimentos gordurosos podem indicar colelitíase ou colecistite.

Como a colelitíase é diagnosticada em gestantes?

O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia abdominal, que é segura na gestação e pode identificar cálculos biliares e sinais de inflamação da vesícula.

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