Doença de Crohn e Colelitíase: Entenda a Conexão

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 34 anos com doença de Crohn procura o médico devido a uma história de 4 semanas de náusea, distensão abdominal e dor epigástrica que ocorre após as refeições e se irradia para o ombro direito. Há quatro meses, ela foi submetida a ressecção ileocecal por obstrução intestinal aguda. Uma ultrassonografia do abdome mostra múltiplos focos ecogênicos com sombras acústicas na vesícula biliar. Qual dos seguintes mecanismos provavelmente contribuiu para a apresentação atual deste paciente?

Alternativas

  1. A) Aumento da produção de bilirrubinas.
  2. B) Aumento da enzima B-glucuronidase.
  3. C) Redução da concentração de ácidos biliares.
  4. D) Redução na absorção de gordura.

Pérola Clínica

Doença de Crohn com ressecção ileocecal → ↓ absorção de ácidos biliares → cálculos biliares de colesterol.

Resumo-Chave

Pacientes com Doença de Crohn, especialmente após ressecção ileal, têm redução na absorção de ácidos biliares no íleo terminal. Isso leva a uma diminuição da pool de ácidos biliares na bile, alterando a solubilidade do colesterol e predispondo à formação de cálculos biliares de colesterol.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, mas frequentemente envolve o íleo terminal. Pacientes com Crohn têm um risco aumentado de diversas complicações extraintestinais e gastrointestinais, incluindo a colelitíase. A fisiopatologia da colelitíase em pacientes com Doença de Crohn está intimamente ligada à disfunção do íleo terminal. A inflamação crônica ou a ressecção cirúrgica do íleo terminal comprometem a reabsorção de ácidos biliares. Isso leva a uma diminuição do pool de ácidos biliares no fígado, resultando em bile supersaturada com colesterol, um fator chave para a formação de cálculos biliares de colesterol. O diagnóstico de colelitíase é feito por ultrassonografia abdominal. O manejo envolve a observação, litotripsia ou colecistectomia, dependendo da sintomatologia. É crucial que médicos estejam cientes dessa associação para um manejo abrangente e preventivo em pacientes com Doença de Crohn.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com Doença de Crohn têm maior risco de colelitíase?

Pacientes com Doença de Crohn, especialmente aqueles com envolvimento ou ressecção do íleo terminal, têm má absorção de ácidos biliares. Isso reduz a concentração de ácidos biliares na bile, levando à supersaturação de colesterol e formação de cálculos.

Qual o papel da ressecção ileocecal na formação de cálculos biliares?

A ressecção ileocecal remove o principal local de absorção de ácidos biliares (íleo terminal), exacerbando a má absorção e a depleção do pool de ácidos biliares, o que aumenta significativamente o risco de colelitíase.

Quais os tipos de cálculos biliares mais comuns em pacientes com Doença de Crohn?

Os cálculos biliares de colesterol são os mais comuns em pacientes com Doença de Crohn devido à alteração na composição da bile causada pela má absorção de ácidos biliares, que leva à supersaturação de colesterol.

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