SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Durante uma consulta, um paciente assintomático, de 32 anos, apresenta um ultrassom abdominal revelando um cálculo da vesícula biliar de 3 cm. Qual deve ser a conduta do cirurgião?
Cálculo biliar assintomático > 3 cm → Discutir riscos/benefícios de colecistectomia com paciente (decisão compartilhada).
Cálculos biliares assintomáticos geralmente não requerem cirurgia, mas cálculos grandes (> 2-3 cm) aumentam o risco de complicações e, mais importante, de câncer de vesícula biliar. Nesses casos, a decisão deve ser compartilhada com o paciente, ponderando os riscos da cirurgia versus os riscos da observação.
A colelitíase assintomática é um achado comum, e a maioria dos pacientes não desenvolverá sintomas ou complicações. No entanto, a presença de cálculos biliares grandes, geralmente acima de 2 a 3 cm, é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de câncer de vesícula biliar, uma neoplasia agressiva com mau prognóstico. Além disso, cálculos grandes podem aumentar o risco de colecistite aguda e fístulas bilioentéricas. O manejo da colelitíase assintomática deve considerar diversos fatores, incluindo o tamanho do cálculo, a idade do paciente, comorbidades e a presença de outros fatores de risco, como vesícula em porcelana ou pólipos. Para cálculos grandes, a colecistectomia profilática é frequentemente discutida devido ao risco oncológico, mas não é uma indicação absoluta para todos os pacientes. A conduta ideal envolve uma discussão detalhada com o paciente, explicando os riscos e benefícios da colecistectomia versus a observação. A decisão compartilhada permite que o paciente, ciente dos potenciais desfechos, participe ativamente da escolha terapêutica, alinhando o tratamento às suas preferências e valores. É fundamental que o cirurgião apresente as evidências de forma clara e objetiva.
As indicações para colecistectomia em colelitíase assintomática incluem cálculos grandes (> 2-3 cm), vesícula em porcelana, pólipos de vesícula biliar > 1 cm, anemia falciforme, transplante de órgãos e pacientes que serão submetidos a cirurgia bariátrica ou cardíaca.
Cálculos biliares maiores que 3 cm estão associados a um risco aumentado de câncer de vesícula biliar, que pode ser até 10 vezes maior em comparação com cálculos menores. Embora o risco absoluto ainda seja baixo, é um fator a ser considerado na decisão terapêutica.
A decisão compartilhada é crucial porque o paciente assintomático precisa compreender os riscos potenciais de desenvolver complicações ou câncer se não operar, bem como os riscos inerentes à colecistectomia. Isso permite que o paciente participe ativamente da escolha do tratamento mais adequado para sua situação.
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