UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente feminina, 40 anos, sem comorbidades e assintomática, apresenta em ecografia de abdômen total múltiplos cálculos de até 2 cm na vesícula biliar, qual a conduta a ser seguida:
Colelitíase assintomática, sem comorbidades → Não indicar colecistectomia profilática.
A colelitíase assintomática, na maioria dos casos, não requer colecistectomia profilática devido ao baixo risco de complicações graves e à alta taxa de pacientes que permanecem assintomáticos ao longo da vida. A cirurgia é reservada para casos específicos.
A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição comum, afetando uma parcela significativa da população adulta. A maioria dos indivíduos com colelitíase permanece assintomática ao longo da vida, e a descoberta dos cálculos é frequentemente incidental durante exames de imagem realizados por outras razões. A distinção entre colelitíase sintomática e assintomática é fundamental para a tomada de decisão clínica, pois o manejo difere substancialmente. A fisiopatologia da formação de cálculos biliares envolve um desequilíbrio na composição da bile, levando à precipitação de colesterol ou bilirrubinato de cálcio. Embora a presença de cálculos seja um fator de risco para colecistite aguda, pancreatite biliar e colangite, a progressão de assintomático para sintomático ou para complicações é relativamente baixa na maioria dos pacientes. A vigilância ativa é a estratégia preferencial para a colelitíase assintomática, com a educação do paciente sobre os sintomas de alerta. A colecistectomia, a remoção cirúrgica da vesícula biliar, é o tratamento definitivo para a colelitíase sintomática. No entanto, para pacientes assintomáticos, a colecistectomia profilática é geralmente desaconselhada devido aos riscos inerentes à cirurgia e ao baixo risco de complicações graves. Exceções incluem pacientes com vesícula em porcelana (devido ao risco de câncer), cálculos muito grandes (>3 cm), anemia hemolítica crônica, ou aqueles que serão submetidos a cirurgia bariátrica ou transplante de órgãos, onde o risco de complicações perioperatórias é maior. Residentes devem dominar essas indicações para evitar intervenções desnecessárias e garantir a melhor conduta para seus pacientes.
As indicações para colecistectomia profilática são limitadas e incluem: vesícula em porcelana, cálculos maiores que 3 cm, anemia falciforme, pacientes em lista de espera para transplante cardíaco ou bariátrica, e anomalias congênitas da via biliar como cisto de colédoco.
Aproximadamente 10-20% dos pacientes com colelitíase assintomática desenvolverão sintomas ao longo de 5 a 10 anos. O risco de complicações graves como colecistite aguda, pancreatite biliar ou colangite é ainda menor, cerca de 1-3% ao ano.
Não se indica colecistectomia profilática para a maioria dos assintomáticos porque o risco de desenvolver complicações é baixo e os riscos da cirurgia (mortalidade, morbidade) superam os benefícios em pacientes sem sintomas. A observação é a conduta mais segura e eficaz.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo