SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
Mulher com 44 anos de idade, índice de massa corporal igual a 39 kg/m², é atendida no setor de emergência apresentando dor abdominal no hipocôndrio direito, iniciada há aproximadamente três horas. Cita refeição com alimentos hiper-lipídicos 60 minutos antes do início dos sintomas. Levando em consideração a principal hipótese diagnóstica, o primeiro exame de imagem a ser considerado é:
Dor em HD + refeição gordurosa → USG abdominal é o exame inicial padrão-ouro.
A ultrassonografia é o exame de escolha inicial para patologias biliares devido à sua alta sensibilidade para cálculos e ausência de radiação ionizante.
A abordagem diagnóstica da dor no hipocôndrio direito deve sempre considerar a colelitíase como principal hipótese, especialmente em pacientes com o perfil clássico (mulher, obesa, multípara, em idade fértil). A fisiopatologia envolve a obstrução transitória ou persistente do ducto cístico por cálculos. A ultrassonografia consolidou-se como o exame de 'triagem' e diagnóstico definitivo inicial por ser não invasiva, de baixo custo e altamente eficaz na visualização da anatomia biliar. O entendimento de que a TC pode falhar em detectar cálculos de colesterol (que podem ser isodensos à bile) reforça a primazia da USG neste cenário clínico específico.
A ultrassonografia abdominal apresenta uma sensibilidade superior a 95% para a detecção de cálculos na vesícula biliar. Ela é capaz de identificar cálculos muito pequenos, frequentemente menores que 2 mm, que aparecem como imagens hiperecogênicas com sombra acústica posterior. Além disso, a USG permite avaliar a mobilidade dos cálculos com a mudança de decúbito, o que ajuda a diferenciar cálculos de pólipos vesiculares.
Os principais sinais ultrassonográficos de colecistite aguda incluem o espessamento da parede da vesícula biliar (geralmente > 3-4 mm), a presença de líquido pericolecístico, a distensão da vesícula e, o sinal mais específico, o sinal de Murphy ultrassonográfico positivo (dor à compressão da vesícula com o transdutor). A presença de cálculos impactados no infundíbulo também corrobora o diagnóstico clínico de inflamação aguda.
A tomografia computadorizada (TC) não é o exame inicial para cálculos, mas é superior na avaliação de complicações da colecistite, como perfuração, abscesso perivesicular ou colecistite enfisematosa. Também é útil quando o diagnóstico diferencial inclui outras causas de abdome agudo, como pancreatite ou isquemia mesentérica, onde a USG pode ser limitada pela presença de gases intestinais que dificultam a visualização profunda.
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