Colelitíase: Diagnóstico e Manejo da Dor Biliar

UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 40 anos e obesa, apresenta queixa de dor abdominal em hipocôndrio direito há cinco meses. A dor é esporádica, relacionada com a alimentação (pósprandiais), em cólica, no quadrante superior direito e, muitas vezes, associada com dispepsia, indigestão e azia. Já teve um episódio prévio de pancreatite aguda, mas que foi tratada clinicamente, sem investigação com exames de imagem.Assinale a opção que indique a patologia mais provável para o caso descrito.

Alternativas

  1. A) Caso ocorra a migração do cálculo biliar através de uma fístula entre o intestino e a vesícula biliar, e ele se impacte na válvula íleo-cecal, teremos o surgimento da síndrome de Mirizzi.
  2. B) O ultrassom é o exame diagnóstico padrão para cálculos biliares. Proporciona, também, informações como diâmetro do colédoco e anormalidades do parênquima hepático.
  3. C) A pancreatite relatada previamente pela paciente não apresenta relação com a doença da via biliar em estudo.
  4. D) Caso surja um quadro de colecistite aguda, deve-se iniciar hidratação, analgesia e antibioticoterapia (com enfoque em germes aeróbios gram-positivos e anaeróbios).

Pérola Clínica

Dor pós-prandial em QSD + obesidade + história de pancreatite → suspeitar colelitíase.

Resumo-Chave

A colelitíase é uma causa comum de dor abdominal pós-prandial em cólica no quadrante superior direito, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade. A história de pancreatite aguda prévia sem causa definida reforça a hipótese de etiologia biliar.

Contexto Educacional

A colelitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição gastrointestinal comum, afetando uma parcela significativa da população, especialmente mulheres, obesos e multíparas (os "4 Fs": female, forty, fertile, fat). Sua importância clínica reside na potencial evolução para complicações graves como colecistite aguda, colangite, pancreatite biliar e, raramente, íleo biliar. O reconhecimento precoce dos sintomas e o diagnóstico adequado são cruciais para um manejo eficaz e prevenção de morbidade. A fisiopatologia da colelitíase envolve um desequilíbrio na composição da bile, levando à precipitação de colesterol ou bilirrubinato de cálcio. Clinicamente, a suspeita surge em pacientes com dor abdominal em cólica no quadrante superior direito, frequentemente desencadeada por refeições gordurosas e irradiando para o dorso ou ombro direito, acompanhada de dispepsia. A história de pancreatite aguda sem outra causa aparente deve sempre levantar a suspeita de etiologia biliar. O diagnóstico padrão-ouro é a ultrassonografia abdominal, que permite visualizar os cálculos, avaliar a espessura da parede da vesícula, a presença de lama biliar e o diâmetro do ducto biliar comum. O tratamento definitivo para colelitíase sintomática é a colecistectomia. O prognóstico é geralmente excelente após a cirurgia, mas a atenção deve ser dada à identificação e manejo das complicações antes e após o procedimento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da colelitíase?

Os sintomas clássicos incluem dor em cólica no quadrante superior direito, frequentemente pós-prandial, associada a náuseas, vômitos, dispepsia e intolerância a alimentos gordurosos.

Por que a ultrassonografia é o exame de escolha para colelitíase?

A ultrassonografia é não invasiva, de baixo custo e altamente sensível para detectar cálculos biliares, além de fornecer informações sobre o diâmetro do colédoco e o parênquima hepático.

Qual a relação entre colelitíase e pancreatite aguda?

Cálculos biliares podem migrar e obstruir o ducto pancreático, causando pancreatite biliar, uma das principais causas de pancreatite aguda.

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