Colelitíase e Fatores de Risco: Ocupação vs. Metabolismo

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2019

Enunciado

Paciente do sexo feminino, de 37 anos de idade, faxineira, quatro filhos, foi atendida no pronto-socorro hospitalar com índice de massa corporal de 32 e histórico de crises dispépticas e cólicas abdominais, localizadas em epigástrico. O quadro clínico evoluiu nas últimas 8 horas com dor forte e contínua no epigástrico e hipocôndrio direito, houve remissão transitória, com o uso de analgésicos orais, e dois episódios de vômitos. No exame físico, apresentava-se ansiosa, hipocorada (+/4+), taquicárdica (90 bpm) e levemente ictérica. No que tange a esse caso clínico e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item subsecutivo. A ocupação da paciente justifica o diagnóstico de uma doença relacionada ao trabalho para o quadro clínico em questão.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Colelitíase (4 F's) = Female, Fat, Forty, Fertile; NÃO é doença ocupacional.

Resumo-Chave

A colelitíase está relacionada a fatores metabólicos, genéticos e hormonais. A ocupação de faxineira não possui nexo causal com a formação de cálculos biliares, sendo o diagnóstico puramente clínico-metabólico.

Contexto Educacional

A colelitíase é uma das patologias digestivas mais frequentes na prática médica. A fisiopatologia envolve o desequilíbrio na composição da bile, levando à supersaturação de colesterol e formação de cristais. O quadro clínico de dor forte e contínua em hipocôndrio direito, associado a vômitos e leve icterícia, sugere que um cálculo pode ter migrado para o ducto colédoco (coledocolitíase) ou estar impactado no ducto cístico, causando colecistite. É fundamental para o médico residente distinguir entre doenças comuns da população e doenças ocupacionais. O nexo técnico epidemiológico (NTEP) é utilizado pela previdência, mas clinicamente, o diagnóstico deve focar nos fatores de risco biológicos. O manejo inicial envolve analgesia, jejum e avaliação cirúrgica, sendo a ultrassonografia de abdome superior o exame de escolha inicial pela sua alta sensibilidade para cálculos biliares.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para colelitíase?

Os fatores de risco clássicos para a formação de cálculos biliares de colesterol são resumidos pelos '4 Fs': Female (sexo feminino, devido ao estrogênio), Fat (obesidade/IMC elevado), Forty (idade próxima aos 40 anos) e Fertile (multiparidade). Outros fatores incluem perda de peso rápida, diabetes mellitus, dislipidemias e predisposição genética. No caso clínico, a paciente apresenta quase todos esses fatores (feminino, 37 anos, 4 filhos, IMC 32), o que justifica plenamente a patologia sem necessidade de fatores externos.

Como é feito o diagnóstico diferencial da dor em hipocôndrio direito?

A dor no hipocôndrio direito exige a exclusão de diversas patologias. A cólica biliar é tipicamente episódica e pós-prandial. Se a dor for contínua e associada a sinal de Murphy positivo, sugere-se colecistite aguda. A presença de icterícia, como no caso, levanta a suspeita de coledocolitíase ou colangite (se houver febre). Outros diferenciais incluem hepatites agudas, abscesso hepático, úlcera duodenal perfurada e, em casos atípicos, pneumonia de base direita ou pielonefrite.

O que define uma doença como relacionada ao trabalho?

Para que uma doença seja considerada relacionada ao trabalho, deve haver um nexo causal ou concausal entre a atividade laboral (ou o ambiente de trabalho) e o surgimento ou agravamento da patologia. Isso envolve a exposição a agentes físicos, químicos, biológicos ou riscos ergonômicos específicos. A colelitíase é uma doença de etiologia metabólica e constitucional; não há evidências científicas que correlacionem a atividade de faxineira com a formação de cálculos na vesícula biliar.

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