UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 44 anos de idade, com dor abdominal aguda, realiza o exame de ultrassonografia abdominal anexo: Sobre os achados de imagem, assinale a alternativa correta:
Cálculo biliar = Hiperecogênico + Sombra acústica + Mobilidade.
O diagnóstico ultrassonográfico da colelitíase baseia-se na identificação de focos hiperecogênicos que barram o som (sombra acústica) e se movem com a mudança de decúbito do paciente.
A ultrassonografia é o exame padrão-ouro para a avaliação da vesícula biliar devido à sua alta sensibilidade e especificidade para detectar cálculos. A tríade clássica que confirma a colelitíase inclui a presença de uma imagem hiperecogênica, a projeção de sombra acústica posterior e a mobilidade do conteúdo. Identificar corretamente esses sinais é crucial na prática clínica para diferenciar a colelitíase de outras condições como pólipos vesiculares, barro biliar (que é hiperecogênico mas não faz sombra) ou colecistite aguda (onde se observaria também espessamento da parede e sinal de Murphy ultrassonográfico positivo).
A sombra acústica posterior ocorre quando o feixe de ultrassom atinge uma estrutura de alta densidade ou interface (como um cálculo ou osso) que reflete ou absorve a maior parte da energia sonora. Isso impede a passagem do som para as estruturas localizadas atrás do objeto, criando uma zona anecoica (preta) na imagem, característica fundamental para o diagnóstico de litíase.
Os cálculos biliares são tipicamente móveis à mudança de decúbito e apresentam sombra acústica posterior nítida. Já os pólipos de vesícula são projeções da mucosa, permanecendo fixos à parede da vesícula independentemente da posição do paciente, e geralmente não apresentam sombra acústica, a menos que sejam muito volumosos ou calcificados.
O reforço acústico posterior é o fenômeno oposto da sombra; ele ocorre quando o som atravessa uma estrutura líquida (como um cisto ou a própria vesícula cheia de bile) com pouca atenuação. Isso faz com que os tecidos localizados logo atrás dessa estrutura pareçam mais brancos (hiperecogênicos) do que o tecido circundante, ajudando a confirmar a natureza líquida de uma lesão.
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