Conduta na Coledocolitíase Residual Pós-Colecistectomia

SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Paciente no sétimo dia de pós-operatório de colecistectomia videolaparoscópica por colelitíase apresenta-se ictérica. Realizou ultrassonografia abdominal, que revelou a presença de um pequeno cálculo residual de colédoco. A melhor conduta deverá ser:

Alternativas

  1. A) observação
  2. B) CPRE com papilotomia
  3. C) administração de ácido ursodesoxicólico
  4. D) reoperação para realização de anastomose biliodigestiva

Pérola Clínica

Icterícia + cálculo em colédoco no pós-operatório → CPRE com papilotomia é o padrão-ouro.

Resumo-Chave

A coledocolitíase residual diagnosticada após colecistectomia deve ser tratada preferencialmente por via endoscópica (CPRE), evitando reoperações complexas.

Contexto Educacional

A coledocolitíase residual é uma complicação frustrante no pós-operatório da colecistectomia. O quadro clínico clássico é a icterícia obstrutiva (aumento de bilirrubina direta) associada ou não a dor abdominal. O diagnóstico inicial costuma ser feito por ultrassonografia, mas a confirmação e o tratamento dependem da visualização direta da via biliar. A evolução tecnológica da endoscopia digestiva transformou a CPRE no pilar do tratamento, reservando a exploração cirúrgica (laparoscópica ou aberta) para casos de falha endoscópica ou anatomia alterada.

Perguntas Frequentes

O que define uma coledocolitíase como residual?

A coledocolitíase é considerada residual quando o cálculo é identificado em até 2 anos após a realização da colecistectomia. Geralmente, são cálculos que já estavam presentes na via biliar principal no momento da cirurgia e não foram detectados ou removidos. Após 2 anos, os cálculos são classificados como primários do colédoco (formados 'de novo' na via biliar), geralmente associados a estase biliar ou infecção.

Por que a CPRE é preferível à reoperação?

A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) permite o diagnóstico e o tratamento definitivo (papilotomia e extração de cálculos) em um único procedimento minimamente invasivo. Comparada à reoperação cirúrgica, a CPRE apresenta menores taxas de morbidade, menor tempo de internação e evita as dificuldades técnicas de operar um abdome com aderências recentes do pós-operatório da colecistectomia.

Quais as complicações possíveis da CPRE?

Embora seja o padrão-ouro, a CPRE não é isenta de riscos. As complicações mais comuns incluem pancreatite pós-CPRE (a mais frequente), sangramento após a papilotomia, colangite e perfuração duodenal. O risco de pancreatite pode ser mitigado com o uso de anti-inflamatórios retais (indometacina) ou stents pancreáticos em casos selecionados de alto risco.

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