Coledocolitíase Residual: Diagnóstico Pós-Colecistectomia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um homem de 50 anos de idade é hospitalizado por apresentar quadro de dor em hipocôndrio direito, de moderada intensidade, com períodos de acalmia. A dor é acompanhada de febre, náuseas e vômitos, iniciados 24 horas antes da internação. Ao exame físico, apresenta dor à palpação do hipocôndrio direito, com sinal de Murphy positivo. Os exames laboratoriais revelaram 13.000 leucócitos/mm³ (valor de referência = 3800 a 10600/mm³), discreta elevação das transaminases e da amilase sérica. O paciente foi submetido a colecistectomia laparoscópica, sem colangiografia. No segundo dia de pós-operatório, o achado de icterícia com elevação de bilirrubina, sem sinais de peritonismo e sem febre tem como diagnóstico mais provável:

Alternativas

  1. A) Colangite bacteriana aguda.
  2. B) Coledocolitíase.
  3. C) Fístula de coto de ducto cístico.
  4. D) Ligadura inadvertida do ducto hepático direito.
  5. E) Lesão iatrogênica do ducto comum.

Pérola Clínica

Icterícia indolor pós-colecistectomia sem peritonismo ou febre → Coledocolitíase residual.

Resumo-Chave

A ausência de colangiografia intraoperatória aumenta o risco de cálculos residuais passarem despercebidos, manifestando-se como icterícia obstrutiva precoce no pós-operatório.

Contexto Educacional

A coledocolitíase residual é definida como a presença de cálculos na via biliar principal detectados até 2 anos após a colecistectomia. No contexto de pós-operatório imediato, a suspeita clínica surge quando há elevação de bilirrubinas sem sinais inflamatórios sistêmicos. A fisiopatologia envolve a migração de cálculos da vesícula através do ducto cístico ou a formação primária no colédoco. O manejo inicial envolve a confirmação por exames de imagem. A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) é frequentemente o procedimento de escolha, pois permite tanto o diagnóstico definitivo quanto a terapêutica (papilotomia e extração de cálculos). A prevenção baseia-se na estratificação de risco pré-operatória e no uso criterioso da colangiografia intraoperatória.

Perguntas Frequentes

Por que a coledocolitíase é o diagnóstico mais provável neste caso?

O paciente apresentava colecistite aguda com discreta alteração de transaminases e amilase, sugerindo migração litiásica prévia. A cirurgia foi realizada sem colangiografia intraoperatória, o que impede a detecção de cálculos no colédoco. O surgimento de icterícia isolada (sem febre ou dor) no 2º DPO é clássico de obstrução mecânica por cálculo residual, enquanto lesões de via biliar ou fístulas costumam cursar com dor intensa, febre ou sinais de irritação peritoneal devido ao biliperitônio.

Qual a importância da colangiografia intraoperatória?

A colangiografia intraoperatória é o padrão-ouro para identificar a anatomia biliar e detectar cálculos no ducto colédoco durante a colecistectomia. Sua omissão, especialmente em pacientes com preditores de coledocolitíase (como elevação de enzimas hepáticas ou amilase), aumenta significativamente a chance de cálculos residuais não serem tratados no mesmo tempo cirúrgico, levando a complicações pós-operatórias como icterícia obstrutiva e pancreatite.

Como diferenciar lesão iatrogênica de coledocolitíase residual?

A lesão iatrogênica grave (como ligadura total do ducto comum) causa icterícia progressiva e rápida, mas frequentemente está associada a dor abdominal e coleções se houver extravasamento biliar. A coledocolitíase residual manifesta-se tipicamente como icterícia obstrutiva isolada. O diagnóstico diferencial definitivo é feito por exames de imagem como ultrassonografia, colangiorressonância ou CPRE, que podem visualizar o cálculo ou a interrupção da via biliar.

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