Coledocolitíase Pós-Colecistectomia: Diagnóstico e CPRE

SMS São José dos Pinhais - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente feminina, 45 anos, pós-operatório de colecistectomia videolaparoscópica realizada há 11 meses, retorna ao hospital com "amarelão" e desconforto abdominal de surgimento há três semanas. Exames laboratoriais demonstrando Bilirrubina Total de 5,34, Bilirrubina Direta de 4,84, Bilirrubina Indireta de 0,50, Fosfatase Alcalina 645, Gama-GT 484, TGO 68 e TGP 64. Descreva a conduta inicial, possível diagnóstico e melhor tratamento para o paciente:

Alternativas

  1. A) Colangiorressônancia, coledocolitíase de cálculo residual, exploração cirúrgica com coledocotomia e retirada de cálculo.
  2. B) Ecografia de abdome, coledocolitíase de cálculo recorrente, exploração cirúrgica com coledocotomia e retirada do cálculo. 
  3. C) Ecografia de abdome, coledocolitíase de cálculo residual, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada com papilotomia.
  4. D) Radiografia de abdome, coledocolitíase de cálculo recorrente, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada com papilotomia.
  5. E) Radiografia de abdome, hepatite viral aguda, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada com papilotomia.

Pérola Clínica

Icterícia colestática pós-colecistectomia → Suspeitar coledocolitíase residual. USG inicial, CPRE diagnóstico/terapêutico.

Resumo-Chave

A icterícia colestática (bilirrubina direta, FA e GGT elevadas) em paciente pós-colecistectomia, mesmo meses depois, sugere coledocolitíase residual. A ultrassonografia de abdome é a conduta inicial para avaliar as vias biliares, e a CPRE é o método de escolha para diagnóstico e tratamento definitivo.

Contexto Educacional

A icterícia que surge meses após uma colecistectomia, acompanhada de dor abdominal e um padrão laboratorial de colestase (bilirrubina direta elevada, FA e GGT muito elevadas, TGO/TGP moderadamente elevadas), é altamente sugestiva de coledocolitíase residual ou recorrente. Este cenário é uma complicação conhecida da cirurgia biliar, onde cálculos podem ter sido deixados no ducto biliar comum ou se formado de novo, exigindo uma abordagem diagnóstica e terapêutica específica. A fisiopatologia da coledocolitíase residual envolve a migração de cálculos da vesícula biliar para o colédoco antes ou durante a colecistectomia, que não foram identificados ou removidos. O diagnóstico inicial é feito com ultrassonografia de abdome, que pode mostrar dilatação das vias biliares e, por vezes, o cálculo. Exames complementares como a colangiorressonância (CPRM) podem ser úteis para confirmar a presença e localização dos cálculos de forma não invasiva, antes de um procedimento terapêutico. O tratamento de escolha para a coledocolitíase residual é a Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) com papilotomia e extração do cálculo. A CPRE é um procedimento endoscópico que permite tanto o diagnóstico visual quanto a intervenção terapêutica, evitando uma nova cirurgia aberta ou laparoscópica. A exploração cirúrgica é reservada para falha da CPRE, anatomia desfavorável ou casos específicos, sendo menos comum na prática atual.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais indicam colestase obstrutiva?

A colestase obstrutiva é indicada por elevações significativas de bilirrubina direta (conjugada), fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT), com transaminases (TGO/TGP) geralmente elevadas, mas em menor proporção. A bilirrubina indireta costuma estar normal.

Qual a conduta inicial para icterícia pós-colecistectomia com suspeita de coledocolitíase?

A conduta inicial é a realização de uma ultrassonografia de abdome, que é um método não invasivo e de baixo custo para avaliar a dilatação das vias biliares e a possível presença de cálculos no colédoco. É o primeiro passo para confirmar a obstrução.

Qual o papel da CPRE no manejo da coledocolitíase residual?

A CPRE (Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada) é o método de escolha tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento da coledocolitíase residual. Permite a visualização direta das vias biliares, a realização de papilotomia e a extração dos cálculos, evitando cirurgia aberta.

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