INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020
Uma paciente de 49 anos, obesa, foi submetida à colecistectomia videolaparoscópica devido a colelítiase sintomática. Durante o ato cirúrgico não foi realizado colangiografia. Evoluiu no 3º dia pós-operatório com icterícia e dor abdominal, acompanhada de febre com calafrios. A conduta neste caso deve ser:
Icterícia + dor + febre pós-colecistectomia → suspeitar coledocolitíase/colangite → CPRE imediata.
O quadro de icterícia, dor abdominal e febre com calafrios (Tríade de Charcot) no pós-operatório de colecistectomia, especialmente sem colangiografia intraoperatória, sugere fortemente coledocolitíase residual ou colangite aguda. A CPRE é diagnóstica e terapêutica, sendo a conduta de escolha para desobstrução biliar.
A colecistectomia videolaparoscópica é um procedimento comum para tratamento de colelitíase sintomática. No entanto, complicações podem ocorrer, sendo a coledocolitíase residual uma das mais importantes, especialmente quando a colangiografia intraoperatória não é realizada. A presença de icterícia, dor abdominal e febre com calafrios no pós-operatório (Tríade de Charcot) é altamente sugestiva de colangite aguda secundária a uma obstrução biliar, geralmente por cálculo. A fisiopatologia da colangite aguda envolve a obstrução do ducto biliar comum, que leva à estase biliar e proliferação bacteriana ascendente do duodeno. A pressão intraluminal aumentada força as bactérias e toxinas para a circulação sistêmica, resultando em sepse. A ausência de colangiografia intraoperatória aumenta o risco de não identificar cálculos no ducto biliar comum. Nesse cenário clínico, a conduta de imediato é a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE). A CPRE não é apenas diagnóstica, mas principalmente terapêutica, permitindo a esfincterotomia e a remoção dos cálculos ou a inserção de um stent para drenagem biliar, aliviando a obstrução e tratando a infecção. Exames de imagem como colangiorressonância podem confirmar a coledocolitíase, mas não oferecem tratamento imediato da colangite aguda, que é uma emergência médica.
A colangite aguda é caracterizada pela Tríade de Charcot: dor em hipocôndrio direito, icterícia e febre com calafrios. Em casos graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que inclui hipotensão e alteração do nível de consciência.
A CPRE é a conduta de escolha porque permite tanto o diagnóstico da coledocolitíase quanto o tratamento imediato através da esfincterotomia e extração dos cálculos, promovendo a desobstrução da via biliar e a drenagem da bile infectada.
As complicações incluem lesão de via biliar, sangramento, infecção de sítio cirúrgico, fístula biliar, e coledocolitíase residual, que pode levar à colangite aguda.
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