Coledocolitíase e Colangite: Diagnóstico e Diferenciação

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 41 anos dá entrada na emergência, apresentando icterícia súbita. Traz consigo ultrassonografia de abdome superior mostrando imagens hiperecogênicas com sombras acústicas posteriores no interior da vesícula biliar. A doente está afebril e, no momento, sem queixas. Após um dia de internação, a paciente começou a apresentar Tax. = 39 ºC, associada a calafrios e dor em hipocôndrio direito.As hipóteses diagnósticas mais prováveis, do momento da internação e após esta, estão corretamente descritas, respectivamente, em qual das alternativas?

Alternativas

  1. A) Coledocolitíase e colecistite aguda.
  2. B) Colecistite aguda e coledocolitíase.
  3. C) Colecistite aguda e colangite.
  4. D) Coledocolitíase e colangite.

Pérola Clínica

Icterícia súbita + USG com cálculos na vesícula → Coledocolitíase. Febre + calafrios + dor HD + icterícia → Colangite aguda (Tríade de Charcot).

Resumo-Chave

A icterícia súbita, com ultrassonografia mostrando cálculos na vesícula biliar, sugere inicialmente coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum). O desenvolvimento posterior de febre, calafrios e dor em hipocôndrio direito, associado à icterícia, configura a tríade de Charcot, indicativa de colangite aguda, uma complicação grave da obstrução biliar.

Contexto Educacional

O caso clínico descreve uma progressão clássica de doença biliar. Inicialmente, a paciente apresenta icterícia súbita e ultrassonografia com cálculos na vesícula biliar. A icterícia sugere obstrução do fluxo biliar, e a presença de cálculos na vesícula, nesse contexto, aponta para coledocolitíase, ou seja, a migração de um cálculo da vesícula para o ducto biliar comum, causando a obstrução. Após um dia de internação, o quadro evolui com febre (39 ºC), calafrios e dor em hipocôndrio direito, mantendo a icterícia. Essa combinação de sintomas (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) é conhecida como a Tríade de Charcot, que é patognomônica de colangite aguda. A colangite é uma infecção bacteriana do trato biliar que ocorre quando há obstrução do fluxo biliar, permitindo a proliferação bacteriana. Se não tratada, pode evoluir para sepse grave (Pentade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental). Portanto, a hipótese diagnóstica inicial, com icterícia e cálculos na vesícula, é coledocolitíase. A evolução para febre, calafrios e dor em hipocôndrio direito, somada à icterícia, estabelece o diagnóstico de colangite aguda. É crucial diferenciar da colecistite aguda, que é a inflamação da vesícula biliar e geralmente não cursa com icterícia proeminente, a menos que haja coledocolitíase associada. O manejo da colangite aguda envolve antibioticoterapia e descompressão biliar urgente, geralmente por CPER.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre coledocolitíase e colecistite aguda?

A coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto biliar comum, podendo causar icterícia obstrutiva. A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente causada por obstrução do ducto cístico por um cálculo, manifestando-se com dor em hipocôndrio direito e febre, mas sem icterícia significativa.

O que é a Tríade de Charcot e o que ela indica?

A Tríade de Charcot consiste em dor em hipocôndrio direito, febre com calafrios e icterícia. É um sinal clássico de colangite aguda, uma infecção grave do trato biliar, geralmente secundária à obstrução.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico de doenças biliares?

A ultrassonografia é o exame inicial para detectar cálculos na vesícula biliar (colelitíase), dilatação das vias biliares (sugerindo obstrução) e sinais de inflamação da vesícula (colecistite). Para coledocolitíase, pode mostrar cálculos no ducto biliar comum, mas sua sensibilidade é limitada, sendo a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) mais precisas.

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