Coledocolitíase: Diagnóstico e Manejo em Casos Atípicos

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Jovem de 18 anos, masculino, que há 3 dias vinha apresentando dores abdominais leves e intermitentes em flanco direito, seguido de epigastralgia. Refere que ontem teve um episódio agudo de dores abdominais após almoço em churrascaria e que sentiu pouca melhora com uso de domperidona e hioscina, que persistiu até o início da noite, quando deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Universitário. Os exames laboratoriais mostram leve leucocitose e alterações de bilirrubinas séricas, de fosfatase alcalina e transaminases. Amilase e lipase normais. O laudo da US abdominal aponta microcálculos em vesícula biliar sem citar alterações nas vias biliares. Tendo apenas esses dados em mãos, qual a melhor conduta na resolução do caso?

Alternativas

  1. A) Colecistectomia com exploração laparoscópica do colédoco.
  2. B) Colangiografia endoscópica. 
  3. C) Colecistectomia laparoscópica.
  4. D) CPRE (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada) seguida de colecistectomia. 

Pérola Clínica

Dor abdominal + microcálculos + ↑ bilirrubinas/FA/transaminases com amilase/lipase normal → Coledocolitíase até prova em contrário.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal pós-prandial, associado a alterações laboratoriais de colestase (bilirrubinas, fosfatase alcalina, transaminases elevadas) e microcálculos na vesícula, mesmo com USG sem dilatação de vias biliares, sugere fortemente coledocolitíase. A amilase e lipase normais afastam pancreatite biliar. A exploração do colédoco é necessária para remover o cálculo obstrutivo.

Contexto Educacional

A coledocolitíase, presença de cálculos no ducto biliar comum, é uma complicação comum da colelitíase e pode levar a quadros graves como colangite e pancreatite biliar. O caso apresentado, com dor abdominal pós-prandial, leucocitose leve e alterações de enzimas hepáticas e bilirrubinas, mesmo com amilase e lipase normais, é altamente sugestivo de obstrução biliar por cálculo, provavelmente um microcálculo que migrou da vesícula. A fisiopatologia envolve a migração de cálculos da vesícula biliar para o ducto colédoco, causando obstrução. Embora a ultrassonografia seja o exame inicial, sua sensibilidade para coledocolitíase pode ser limitada, especialmente para cálculos pequenos ou impactados no colédoco distal. A elevação de bilirrubinas, fosfatase alcalina e transaminases é um forte indicativo de colestase. A conduta ideal, neste cenário, é a colecistectomia para remover a fonte dos cálculos (vesícula biliar) e a exploração do colédoco para remover o cálculo obstrutivo. A exploração pode ser realizada por via laparoscópica, seja transcística ou por coledocotomia. A CPRE seria uma alternativa para remoção do cálculo do colédoco, mas a colecistectomia ainda seria necessária para tratar a colelitíase. A combinação de colecistectomia com exploração do colédoco aborda ambas as condições em um único tempo cirúrgico, quando possível.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais indicam coledocolitíase?

Elevação de bilirrubinas (principalmente direta), fosfatase alcalina e gama-GT são marcadores de colestase. Transaminases também podem estar elevadas devido à inflamação hepática secundária à obstrução biliar.

Por que a ultrassonografia pode não detectar coledocolitíase?

A ultrassonografia tem sensibilidade limitada para detectar cálculos no colédoco distal, especialmente se não houver dilatação significativa das vias biliares ou se os cálculos forem pequenos (microcálculos) e não causarem obstrução completa.

Qual a diferença entre colecistectomia com exploração do colédoco e CPRE?

A colecistectomia com exploração do colédoco é um procedimento cirúrgico para remover a vesícula e os cálculos do ducto biliar comum. A CPRE é um procedimento endoscópico para remover cálculos do colédoco, geralmente antes ou depois da colecistectomia, mas não remove a vesícula biliar.

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