Coledocolitíase e Pancreatite Biliar: Diagnóstico Clínico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 32 anos, admitida com dor no andar superior do abdome há 12 horas. Achados físicos: icterícia +/4+, temperatura de 37 °C, frequências respiratória e cardíaca de 20 incursões e 100 batimentos por minuto, respectivamente, distensão e dor abdominal no andar superior à palpação superficial e profunda. Achados laboratoriais: Glóbulos brancos: 16.000/ml (valor de referência de 4.000 a 10.000/ml), amilasemia de 1.200 U/dl (valor de referência até 125 U/L), bilirrubinas totais e direta de 4,6 e 3,2 mg/dl (valor de referência de até 1,10 e 0,30 mg/dL, respectivamente). As imagens foram obtidas durante o tratamento cirúrgico realizado após uma semana da admissão. Dentre os cálculos observados, as manifestações clínicas e laboratoriais e os achados radiológicos estão associadas, provavelmente, ao:

Alternativas

  1. A) 3
  2. B) 4
  3. C) 1
  4. D) 2

Pérola Clínica

Dor abd superior + icterícia + amilase ↑ + bilirrubina direta ↑ → Coledocolitíase/Pancreatite biliar.

Resumo-Chave

A presença de dor abdominal superior, icterícia e elevação de amilase e bilirrubina direta é altamente sugestiva de coledocolitíase com pancreatite biliar. A obstrução do ducto biliar comum por cálculo pode levar a ambos os quadros, exigindo investigação e tratamento urgentes.

Contexto Educacional

A coledocolitíase, presença de cálculos no ducto biliar comum, é uma condição comum que pode levar a complicações graves como colangite aguda e pancreatite biliar. A epidemiologia está ligada à colelitíase, sendo mais prevalente em mulheres e indivíduos com fatores de risco para cálculos biliares. Sua importância clínica reside no potencial de obstrução biliar e inflamação sistêmica, que podem ser fatais se não tratadas. O diagnóstico da coledocolitíase e pancreatite biliar é baseado na tríade de sintomas (dor abdominal, icterícia, febre – tríade de Charcot para colangite), achados laboratoriais (leucocitose, elevação de bilirrubinas, amilase e lipase) e exames de imagem como ultrassonografia, colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER). Deve-se suspeitar em pacientes com histórico de colelitíase e sintomas obstrutivos. O tratamento envolve a remoção dos cálculos, geralmente por CPER, e colecistectomia para prevenir recorrências. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas complicações como sepse na colangite ou necrose pancreática na pancreatite podem ser fatais. É crucial o manejo precoce e a avaliação completa da via biliar para evitar morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da coledocolitíase?

Os principais sinais incluem dor abdominal em andar superior, icterícia, colúria e acolia fecal. Pode haver febre e calafrios se houver colangite associada, formando a tríade de Charcot.

Como a pancreatite biliar é diagnosticada?

O diagnóstico é feito pela elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase) em conjunto com achados clínicos e evidência de cálculos biliares ou coledocolitíase em exames de imagem, como ultrassonografia ou CPRM.

Qual a relação entre coledocolitíase e pancreatite?

A coledocolitíase pode causar pancreatite quando um cálculo biliar obstrui a ampola de Vater, impedindo o fluxo de suco pancreático e ativando enzimas dentro do pâncreas, levando à autodigestão.

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