FESF-SUS - Fundação Estatal Saúde da Família (BA) — Prova 2022
Mulher, 46 anos, apresenta quadro de dor em abdômen superior há cinco dias, associada a coluria, acolia fecal e escleras ictéricas. Refere episódios prévios de dor em abdômen superior, mais localizada em hipocôndrio direito. Ao exame, apresenta dados vitais normais, afebril, escleras ictéricas, corada e abdome globoso, flácido. Leve dor à palpação de abdômen superior, sem sinais de irritação peritoneal, sem massas palpáveis. Ultrassonografia de abdômen com vesicula biliar de paredes finas, contendo cálculos em seu interior, dilatação vias biliares com colédoco de 1,9cm, pâncreas não visualizado por interposição gasosa. Leucograma 8.000/mm3, sem desvio. Função renal normal, amilase e lipase normais. Gama GT - 355, fosfatase alcalina 420, bilirrubina total 12,0mg/dl, com bilirrubina direta 9,0mg/dl. Considerando esse caso clínico, o diagnóstico é _______________ e o tratamento inicial é _______________. A alternativa que preenche, correta e sequencialmente, as lacunas do trecho acima é
Icterícia obstrutiva + dilatação colédoco + ↑ BD, FA, GGT → Coledocolitíase = CPRE.
A paciente apresenta um quadro clássico de icterícia obstrutiva (colúria, acolia, icterícia, ↑ BD, FA, GGT) com dilatação do colédoco e cálculos na vesícula, indicando coledocolitíase. A CPRE é o tratamento inicial de escolha para remover os cálculos do ducto biliar comum.
A coledocolitíase, a presença de cálculos no ducto biliar comum (colédoco), é uma complicação comum da colelitíase e uma causa frequente de icterícia obstrutiva. O quadro clínico típico inclui dor em abdome superior, icterícia (manifestada por escleras ictéricas, colúria e acolia fecal) e alterações laboratoriais como elevação da bilirrubina direta, fosfatase alcalina e gama-GT. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e exames laboratoriais, e confirmado por exames de imagem. A ultrassonografia abdominal pode mostrar dilatação das vias biliares e, por vezes, o cálculo no colédoco. A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é um exame não invasivo útil para confirmar a presença e localização dos cálculos. O tratamento inicial de escolha para a coledocolitíase é a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE). Este procedimento permite a visualização direta das vias biliares, a esfincterotomia e a remoção dos cálculos, desobstruindo o colédoco e aliviando a icterícia. Após a resolução da coledocolitíase, a colecistectomia (geralmente videolaparoscópica) é indicada para prevenir novos episódios de coledocolitíase e outras complicações da colelitíase.
Os sintomas incluem dor em hipocôndrio direito, icterícia (escleras ictéricas, colúria, acolia fecal), náuseas e vômitos. A febre e calafrios sugerem colangite, uma complicação da coledocolitíase.
A CPRE permite a remoção endoscópica dos cálculos do ducto biliar comum, desobstruindo as vias biliares e aliviando a icterícia e o risco de colangite, sendo menos invasiva que a cirurgia aberta.
Coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto biliar comum. Colangite é a infecção bacteriana das vias biliares, geralmente causada pela obstrução biliar (frequentemente por coledocolitíase), manifestando-se com febre, dor e icterícia (tríade de Charcot).
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