SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023
Uma paciente de 38 ano de idade vai ao consultório do cirurgião do aparelho digestivo em virtude de estar apresentando um quadro de icterícia há cerca de 5 semanas, sem história de febre ou emagrecimento, referindo uma leve dor em quadrante superior direito do abdome. O exame de colangiorressonância magnética que a mesma realizou evidenciou colelitíase e coledocolitíase com dois cálculos de 8mm e 10mm em colédoco distal. Dentre as alternativas abaixo, marque a que evidencia o(s) achado(s) laboratorial(is) que mais provavelmente será / serão encontrado (s) nesta paciente?
Icterícia obstrutiva crônica → Deficiência Vit K → ↓ Fatores coagulação (II, VII, IX, X) → ↑ INR, ↓ Atividade protrombina.
Em pacientes com icterícia obstrutiva prolongada, como na coledocolitíase, a absorção de vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina K, é prejudicada. A deficiência de vitamina K leva à síntese inadequada de fatores de coagulação dependentes dela (II, VII, IX, X), resultando em alargamento do INR e diminuição da atividade de protrombina.
A coledocolitíase, caracterizada pela presença de cálculos no ducto biliar comum, é uma causa frequente de icterícia obstrutiva. A obstrução prolongada do fluxo biliar impede a chegada de sais biliares ao intestino delgado, que são cruciais para a emulsificação e absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K. A deficiência de vitamina K é particularmente relevante devido ao seu papel na cascata de coagulação. A vitamina K é um cofator essencial para a gama-carboxilação de resíduos de ácido glutâmico em proteínas, incluindo os fatores de coagulação II (protrombina), VII, IX e X, bem como as proteínas C e S. Sem vitamina K suficiente, o fígado produz formas inativas desses fatores, levando a um estado de hipocoagulabilidade. Laboratorialmente, isso se manifesta como um alargamento do tempo de protrombina (TP) e, consequentemente, um aumento do International Normalized Ratio (INR), além de uma diminuição da atividade de protrombina. O reconhecimento dessa coagulopatia é fundamental, especialmente antes de procedimentos invasivos, como a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) ou cirurgia, para prevenir complicações hemorrágicas. A suplementação parenteral de vitamina K é o tratamento de escolha e geralmente corrige as anormalidades do coagulograma em um período de 24 a 48 horas, desde que a função hepática intrínseca esteja preservada.
A obstrução biliar impede a chegada de sais biliares ao intestino, essenciais para a absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina K. A deficiência de vitamina K compromete a síntese hepática de fatores de coagulação.
Os fatores de coagulação II (protrombina), VII, IX e X são dependentes de vitamina K para sua síntese e ativação no fígado.
O tratamento envolve a administração parenteral de vitamina K, que geralmente corrige o coagulograma em 24-48 horas, desde que a função hepática esteja preservada.
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