Coledocolitíase: Quando indicar CPRE ou CPRM?

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Sr. Waldir, 58 anos, procura atendimento médico com quadro de dor abdominal em hipocôndrio direito e epigástrio há 3 dias, associada a icterícia progressiva, colúria e acolia fecal. Ao exame físico, apresenta-se ictérico (3+/4+), afebril, com abdome doloroso à palpação profunda em região superior, porém sem sinais de peritonite e com sinal de Murphy negativo. Os exames laboratoriais revelam Bilirrubina Total de 5,8 mg/dL (Bilirrubina Direta: 4,5 mg/dL), Fosfatase Alcalina e Gama-GT significativamente elevadas, e transaminases com leve aumento. A ultrassonografia de abdome demonstra vesícula biliar com múltiplos cálculos em seu interior e via biliar principal (colédoco) dilatada, medindo 11 mm, com suspeita de imagem hiperecogênica em seu terço distal, embora prejudicada pelo gás intestinal. Considerando a principal hipótese diagnóstica e a necessidade de desobstrução da via biliar, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Realizar Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE).
  2. B) Solicitar Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM).
  3. C) Realizar Ultrassonografia Endoscópica (Ecoendoscopia) diagnóstica.
  4. D) Indicar Colecistectomia Videolaparoscópica imediata isolada.

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva + Colédoco > 6mm + Cálculo visível → CPRE diagnóstica e terapêutica.

Resumo-Chave

Em pacientes com alta probabilidade de coledocolitíase (icterícia e imagem sugestiva), a CPRE é o padrão-ouro por permitir diagnóstico e tratamento simultâneo.

Contexto Educacional

A coledocolitíase ocorre pela migração de cálculos da vesícula biliar para o ducto colédoco (secundária) ou, mais raramente, pela formação in situ (primária). O quadro clínico clássico envolve icterícia de padrão obstrutivo, com elevação predominante de bilirrubina direta e enzimas canaliculares (FA e GGT). A ultrassonografia é o exame inicial, mas possui sensibilidade limitada para o colédoco distal devido à interposição de gases intestinais. A estratificação de risco da ASGE (American Society for Gastrointestinal Endoscopy) orienta a propedêutica: pacientes de alto risco seguem para CPRE; risco intermediário para CPRM ou ecoendoscopia; e baixo risco para colecistectomia direta. A CPRE é um procedimento endoscópico intervencionista que permite a papilotomia e a extração de cálculos, sendo essencial para prevenir complicações graves como colangite supurativa e pancreatite biliar.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de alta probabilidade para coledocolitíase?

Os critérios de alta probabilidade (ASGE) incluem a presença de cálculo na via biliar principal visualizado por ultrassonografia, bilirrubina total > 4 mg/dL associada a colédoco dilatado (> 6 mm), ou quadro clínico de colangite aguda. Nestes casos, a conduta preferencial é a CPRE direta, sem necessidade de exames diagnósticos adicionais como CPRM ou ecoendoscopia, visando a desobstrução imediata da via biliar.

Quando preferir a CPRM em vez da CPRE?

A Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) é indicada quando há probabilidade intermediária de coledocolitíase (ex: colédoco dilatado sem cálculo visível e bilirrubinas entre 1,8 e 4 mg/dL). Por ser um exame não invasivo e puramente diagnóstico, evita os riscos inerentes à CPRE, como pancreatite pós-procedimento, em pacientes que podem não ter cálculos residuais na via biliar.

Qual a conduta se a vesícula ainda estiver presente?

Após a limpeza da via biliar principal via CPRE, o paciente deve ser submetido à colecistectomia videolaparoscópica, preferencialmente na mesma internação. Isso previne novos episódios de migração de cálculos, colecistite ou pancreatite biliar, tratando a fonte primária da litíase.

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