SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Uma paciente de 60 anos de idade é admitida na emergência com dor abdominal no quadrante superior direito, icterícia, febre e sensibilidade à palpação na região do hipocôndrio direito. Ao exame físico, revela icterícia cutâneo-mucosa e dor à palpação no hipocôndrio direito. Os sinais vitais evidenciam PA = 140 x 90 mmHg, FC = 110 bpm, FR = 20 irpm e temperatura = 38,8 °C. Exames de imagem demonstram a presença de cálculos na via biliar comum. A suspeita é de coledocolitíase. Com relação a esse caso clínico, assinale a alternativa correspondente à conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada?
Tríade de Charcot + Cálculos na VBP → CPRE precoce para descompressão e limpeza biliar.
A CPRE é o padrão-ouro para o manejo da coledocolitíase sintomática e colangite, permitindo a remoção dos cálculos e a drenagem biliar de forma minimamente invasiva.
A coledocolitíase ocorre quando cálculos biliares migram da vesícula para o ducto colédoco ou se formam primariamente nele. A obstrução resultante pode levar à estase biliar e infecção bacteriana ascendente, configurando a colangite aguda. O quadro clínico clássico envolve a Tríade de Charcot, e em casos graves, a Pêntade de Reynolds (adicionando hipotensão e alteração do nível de consciência). O tratamento baseia-se no suporte clínico, antibioticoterapia de amplo espectro e, fundamentalmente, na descompressão biliar. A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) consolidou-se como o procedimento de escolha por sua capacidade diagnóstica e terapêutica simultânea, permitindo a retirada dos cálculos e garantindo a drenagem da bile infectada.
A Tríade de Charcot é composta por febre com calafrios, dor abdominal no hipocôndrio direito e icterícia. Sua presença é altamente sugestiva de colangite aguda, indicando a necessidade de intervenção urgente para descompressão da via biliar.
A CPRE permite o acesso minimamente invasivo à via biliar, com menores taxas de morbimortalidade em comparação à exploração cirúrgica da via biliar comum. Ela possibilita a papilotomia e a extração de cálculos com alta taxa de sucesso, sendo ideal para pacientes com colangite ou idosos com múltiplas comorbidades.
Após a limpeza da via biliar comum via CPRE, a paciente deve ser submetida à colecistectomia laparoscópica, preferencialmente na mesma internação, para evitar a recorrência de eventos biliares (nova coledocolitíase, colecistite ou pancreatite).
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