Manejo da Coledocolitíase e Colangite: O Papel da CPRE

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 60 anos de idade é admitida na emergência com dor abdominal no quadrante superior direito, icterícia, febre e sensibilidade à palpação na região do hipocôndrio direito. Ao exame físico, revela icterícia cutâneo-mucosa e dor à palpação no hipocôndrio direito. Os sinais vitais evidenciam PA = 140 x 90 mmHg, FC = 110 bpm, FR = 20 irpm e temperatura = 38,8 °C. Exames de imagem demonstram a presença de cálculos na via biliar comum. A suspeita é de coledocolitíase. Com relação a esse caso clínico, assinale a alternativa correspondente à conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada?

Alternativas

  1. A) Optar por uma cirurgia laparoscópica de colecistectomia com colangiografia intraoperatória.
  2. B) Realizar uma colangiografia retrógrada endoscópica (CPRE) para remoção dos cálculos.
  3. C) Prescrever terapia médica com antibióticos para tratar a coledocolitíase.
  4. D) Adiar a intervenção cirúrgica e monitorizar a paciente.
  5. E) Realizar uma laparotomia exploratória para avaliar a extensão da coledocolitíase.

Pérola Clínica

Tríade de Charcot + Cálculos na VBP → CPRE precoce para descompressão e limpeza biliar.

Resumo-Chave

A CPRE é o padrão-ouro para o manejo da coledocolitíase sintomática e colangite, permitindo a remoção dos cálculos e a drenagem biliar de forma minimamente invasiva.

Contexto Educacional

A coledocolitíase ocorre quando cálculos biliares migram da vesícula para o ducto colédoco ou se formam primariamente nele. A obstrução resultante pode levar à estase biliar e infecção bacteriana ascendente, configurando a colangite aguda. O quadro clínico clássico envolve a Tríade de Charcot, e em casos graves, a Pêntade de Reynolds (adicionando hipotensão e alteração do nível de consciência). O tratamento baseia-se no suporte clínico, antibioticoterapia de amplo espectro e, fundamentalmente, na descompressão biliar. A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) consolidou-se como o procedimento de escolha por sua capacidade diagnóstica e terapêutica simultânea, permitindo a retirada dos cálculos e garantindo a drenagem da bile infectada.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos da Tríade de Charcot?

A Tríade de Charcot é composta por febre com calafrios, dor abdominal no hipocôndrio direito e icterícia. Sua presença é altamente sugestiva de colangite aguda, indicando a necessidade de intervenção urgente para descompressão da via biliar.

Por que a CPRE é preferível à cirurgia aberta na coledocolitíase?

A CPRE permite o acesso minimamente invasivo à via biliar, com menores taxas de morbimortalidade em comparação à exploração cirúrgica da via biliar comum. Ela possibilita a papilotomia e a extração de cálculos com alta taxa de sucesso, sendo ideal para pacientes com colangite ou idosos com múltiplas comorbidades.

Qual o manejo após a resolução da coledocolitíase por CPRE?

Após a limpeza da via biliar comum via CPRE, a paciente deve ser submetida à colecistectomia laparoscópica, preferencialmente na mesma internação, para evitar a recorrência de eventos biliares (nova coledocolitíase, colecistite ou pancreatite).

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