UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Paciente, 44 anos, com quadro de dor em hipocôndrio direito recorrente associado a náuseas e vômitos. Submetida a ultrassonografia abdominal com evidências de vesícula biliar de paredes de 1mm, com imagens hiperecogênicas em seu interior e sombra acústica posterior e colédoco de 1,2 cm de diâmetro e com imagens hiperecogênicas e sombra acústica posterior. Qual a melhor abordagem terapêutica para a paciente?
Coledocolitíase + colelitíase → CPRE para desobstrução, depois colecistectomia laparoscópica.
A paciente apresenta colelitíase (cálculos na vesícula) e coledocolitíase (cálculos no colédoco, evidenciado pela dilatação e imagens hiperecogênicas). A abordagem padrão-ouro para coledocolitíase é a desobstrução da via biliar principal, preferencialmente por CPRE, para remover os cálculos do colédoco. Após a resolução da coledocolitíase, a colecistectomia videolaparoscópica é realizada para tratar a colelitíase e prevenir novos episódios.
A colelitíase, presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição comum que pode levar a sintomas como dor em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos. Uma complicação importante é a coledocolitíase, que ocorre quando um cálculo migra da vesícula para o ducto biliar comum (colédoco), causando obstrução. A dilatação do colédoco na ultrassonografia (acima de 6-8 mm, dependendo da idade e colecistectomia prévia) e a visualização de cálculos são fortes indicativos de coledocolitíase. A fisiopatologia da coledocolitíase envolve a obstrução do fluxo biliar, que pode levar a colangite (infecção biliar), pancreatite biliar e icterícia obstrutiva. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como ultrassonografia, colangio-ressonância (CPRM) ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE). A abordagem terapêutica para pacientes com colelitíase sintomática e coledocolitíase estabelecida é bifásica. Primeiramente, a prioridade é a desobstrução da via biliar principal para remover os cálculos do colédoco, sendo a CPRE o método de escolha devido à sua eficácia e natureza minimamente invasiva. Após a resolução da coledocolitíase, a colecistectomia videolaparoscópica é realizada para remover a vesícula biliar, que é a fonte dos cálculos, prevenindo recorrências. A realização da colecistectomia antes da CPRE deixaria o cálculo no colédoco, expondo o paciente a riscos de complicações graves.
Colelitíase refere-se à presença de cálculos na vesícula biliar, enquanto coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto biliar comum (colédoco), que pode causar obstrução e complicações.
A CPRE permite a remoção endoscópica dos cálculos do colédoco, desobstruindo a via biliar de forma minimamente invasiva, evitando complicações como colangite e pancreatite.
A sequência ideal é primeiro resolver a coledocolitíase, geralmente com CPRE, e então realizar a colecistectomia videolaparoscópica para remover a vesícula biliar, que é a fonte dos cálculos, prevenindo recorrências.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo