Coledocolitíase: Diagnóstico por Imagem e Acurácia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher com 57 anos, obesa, multípara, é encaminhada ao pronto atendimento com queixa de dor contínua em quadrante abdominal superior direito iniciada há 2 dias. Refere história de intolerância a alimentos gordurosos nos últimos 5 anos. Ao exame físico, apresenta-se eupneica, com desidratação leve, frequência cardíaca de 102 bpm, pressão arterial de 130 X 70 mmHg, e afebril. Observou-se icterícia na esclera. Ao exame apresentou dor à palpação profunda no quadrante superior direito, com sinal de Murphy ausente.Exames laboratoriais: hemograma normal, níveis séricos de bilirrubina total de 2,5 mg/dL (VR: 0,3 a 1 mg/dL), com bilirrubina direta de 2 mg/dL (VR: 0,1 a 0,3 mg/dL) e aumento da fosfatase alcalina.Qual exame do abdome tem maior acurácia para auxiliar nesse diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia.
  2. B) Radiografia simples.
  3. C) Ressonância magnética.
  4. D) Tomografia computadorizada

Pérola Clínica

Dor QSD + icterícia + ↑ BD e FA + Murphy ausente → Coledocolitíase/Obstrução biliar. Exame de maior acurácia: CPRM.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere obstrução biliar (coledocolitíase ou outra causa), com icterícia colestática. Embora a ultrassonografia seja o exame inicial, a Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) oferece maior acurácia para detalhar a via biliar e identificar a causa da obstrução.

Contexto Educacional

A coledocolitíase, presença de cálculos no ducto biliar comum, é uma complicação comum da colelitíase, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade e multiparidade. O quadro clínico típico inclui dor em quadrante superior direito, icterícia e, por vezes, colangite. A intolerância a alimentos gordurosos é um sintoma clássico de doença biliar. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e exames laboratoriais que indicam colestase, como elevação da bilirrubina direta e fosfatase alcalina. Embora a ultrassonografia abdominal seja o exame de primeira linha para avaliar a vesícula biliar e as vias biliares, sua sensibilidade para detectar cálculos no colédoco é limitada. Em casos de alta suspeita de coledocolitíase ou icterícia obstrutiva, exames mais acurados são necessários. A Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) é considerada o exame não invasivo de maior acurácia para a avaliação das vias biliares e pancreáticas, sendo capaz de identificar cálculos, estenoses e outras causas de obstrução com alta precisão, sem a necessidade de contraste iodado ou radiação ionizante. É fundamental para confirmar o diagnóstico e planejar a conduta terapêutica, que frequentemente envolve a Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPER) para remoção dos cálculos.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais indicam obstrução biliar?

A obstrução biliar é indicada por elevação da bilirrubina total, predominantemente da bilirrubina direta (conjugada), e aumento das enzimas de colestase, como fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT).

Por que a ultrassonografia é o primeiro exame, mas não o mais acurado para coledocolitíase?

A ultrassonografia é o exame inicial devido à sua disponibilidade, baixo custo e não invasividade, sendo eficaz para detectar colelitíase e dilatação das vias biliares. No entanto, sua acurácia para visualizar cálculos no colédoco é limitada, especialmente em pacientes obesos ou com gases intestinais.

Quando a Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) é indicada?

A CPRM é indicada quando há forte suspeita de coledocolitíase ou outra obstrução biliar (como no caso, com icterícia e alteração enzimática) e a ultrassonografia não foi conclusiva ou para planejar a intervenção, oferecendo alta acurácia na visualização detalhada das vias biliares sem radiação ou contraste iodado.

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