Coledocolitíase: Diagnóstico por CPRM e Investigação Biliar

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 45 anos de idade, procura o Pronto-Socorro com queixa de olhos amarelados e dor abdominal há 1 semana. Refere episódios prévios de diminuição do apetite e náuseas associados à dor abdominal, principalmente durante a alimentação, no último ano. Relata hipertensão e diabetes, controlados por medicação. Ao exame físico, bom estado geral, afebril, corado, ictérico +2/+4; auscultas respiratória e cardíaca sem alterações; abdome plano, flácido, dor leve à palpação profunda do hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Foi realizada ultrassonografia de abdome superior que evidenciou colédoco medindo 9,0mm.Indique o exame complementar mais indicado para confirmar esse diagnóstico:

Alternativas

  1. A) Cintilografia da via biliar.
  2. B) Colangiopancreatografia por ressonância nuclear magnética.
  3. C) Tomografia de abdome com contraste.
  4. D) Radiografia de abdome agudo.

Pérola Clínica

Icterícia + Colédoco > 6mm na USG → CPRM para confirmar coledocolitíase (não invasivo).

Resumo-Chave

A dilatação do colédoco (>6mm) em paciente ictérico sugere obstrução distal. A CPRM é o exame de escolha para diagnóstico por sua alta acurácia e caráter não invasivo, evitando riscos da CPRE.

Contexto Educacional

A investigação de icterícia obstrutiva segue um fluxograma que inicia com a ultrassonografia (USG) de abdome superior. A USG é excelente para detectar dilatação de vias biliares, mas possui baixa sensibilidade para visualizar cálculos no colédoco distal devido aos gases intestinais. Quando a USG mostra dilatação (colédoco > 6mm) sem evidenciar a causa, a CPRM torna-se o próximo passo ideal. A CPRM utiliza sequências de ressonância pesadas em T2 para destacar o fluido biliar estático, permitindo uma visualização detalhada da árvore biliar sem contraste iodado ou radiação. É fundamental para diferenciar causas benignas (cálculos) de malignas (tumores periampulares) antes de qualquer intervenção invasiva.

Perguntas Frequentes

Quando indicar CPRM em vez de CPRE na suspeita de coledocolitíase?

A CPRM é indicada para pacientes com risco intermediário de coledocolitíase (ex: colédoco dilatado na USG, mas sem colangite ou cálculo visível). Ela é puramente diagnóstica e não invasiva. A CPRE é reservada para casos de alto risco ou quando a intervenção terapêutica (retirada do cálculo) já está decidida, devido ao risco de complicações como pancreatite pós-CPRE.

Qual o valor de referência para dilatação do colédoco na USG?

Em pacientes não colecistectomizados, um colédoco com diâmetro superior a 6mm é considerado dilatado e sugere obstrução. Em pacientes que já retiraram a vesícula, o colédoco pode medir até 10mm fisiologicamente, exigindo correlação clínica rigorosa.

Quais os principais sinais de icterícia obstrutiva no exame físico?

Além da esclera ictérica, o paciente pode apresentar colúria (urina cor de chá/coca-cola) e acolia fecal (fezes claras), indicando que a bilirrubina conjugada não está atingindo o trato gastrointestinal devido à obstrução mecânica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo