Diagnóstico e Laboratório da Coledocolitíase

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Os cálculos do colédoco, ou coledocolitíase, são geralmente silenciosos, e são observados em até 10% dos pacientes submetidos à aquisição de imagens biliares. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. A coledocolitíase assintomática geralmente é um achado casual. Dor do tipo biliar, icterícia, painel de função hepática anormal e ducto biliar dilatado, geralmente com mais de 8 mm, são altamente sugestivos de coledocolitíase... PORTANTO II. Achados laboratoriais com anormalidades do painel de função hepática, como aumento isolado de gama GT ou hiper bilirrubinemia as custas da fração indireta, são altamente sensíveis e específicos na identificação dos cálculos do colédoco.

Alternativas

  1. A) As duas assertivas são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
  2. B) As duas assertivas são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
  3. C) A primeira assertiva é uma proposição verdadeira, e a segunda é falsa.
  4. D) A primeira assertiva é uma proposição falsa, e a segunda é verdadeira.
  5. E) As duas assertivas são proposições falsas.

Pérola Clínica

Coledocolitíase → ↑ Bilirrubina Direta e Enzimas Canaliculares; Bilirrubina Indireta isolada NÃO sugere obstrução.

Resumo-Chave

A suspeita de coledocolitíase baseia-se em dor biliar, icterícia e exames de colestase (↑BD, FA, GGT). Alterações isoladas de bilirrubina indireta não são específicas para cálculos.

Contexto Educacional

A coledocolitíase é uma complicação comum da colelitíase. O raciocínio clínico deve integrar a probabilidade pré-teste (idade, sintomas, histórico) com os padrões laboratoriais de colestase. A distinção entre as frações da bilirrubina é o primeiro passo para evitar erros diagnósticos, separando causas parenquimatosas ou hemolíticas de causas obstrutivas mecânicas.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais de coledocolitíase nos exames de imagem?

O achado mais sugestivo de coledocolitíase na ultrassonografia abdominal é a dilatação do ducto biliar comum (colédoco), geralmente definida como um diâmetro superior a 6-8 mm em pacientes com vesícula biliar íntegra. Além da dilatação, a visualização direta do cálculo hiperecogênico com sombra acústica posterior dentro do ducto confirma o diagnóstico. No entanto, a ultrassonografia tem sensibilidade limitada para detectar cálculos no colédoco distal devido aos gases intestinais, sendo muitas vezes necessária a complementação com colangiorressonância ou ecoendoscopia em casos de suspeita clínica moderada.

Como diferenciar icterícia obstrutiva de outras causas pelo laboratório?

A icterícia obstrutiva (colestática) caracteriza-se pelo aumento predominante da bilirrubina direta (conjugada), acompanhado de elevação das enzimas canaliculares, como a Fosfatase Alcalina (FA) e a Gama-Glutamiltransferase (GGT). Em contraste, o aumento isolado da bilirrubina indireta (não conjugada) sugere processos hemolíticos ou distúrbios de conjugação, como a Síndrome de Gilbert, e não obstrução biliar. A GGT é muito sensível para doenças biliares, mas sua elevação isolada pode ocorrer por indução enzimática (álcool, drogas), carecendo de especificidade para cálculos se não houver outros sinais associados.

O que define a coledocolitíase assintomática?

A coledocolitíase assintomática ocorre quando cálculos migram da vesícula para o colédoco sem causar obstrução total ou inflamação aguda imediata. Frequentemente é um achado incidental em exames de imagem realizados por outros motivos ou durante uma colecistectomia eletiva (colangiografia intraoperatória). Embora o paciente não apresente dor ou icterícia no momento, esses cálculos representam um risco futuro de complicações graves, como colangite aguda ou pancreatite biliar, o que geralmente justifica a indicação de tratamento (extração endoscópica ou cirúrgica).

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