PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 45 anos de idade, procura o Pronto-Socorro com queixa de olhos amarelados e dor abdominal há 1 semana. Refere episódios prévios de diminuição do apetite e náuseas associados à dor abdominal, principalmente durante a alimentação, no último ano. Relata hipertensão e diabetes, controlados por medicação. Ao exame físico, bom estado geral, afebril, corado, ictérico +2/+4; auscultas respiratória e cardíaca sem alterações; abdome plano, flácido, dor leve à palpação profunda do hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Foi realizada ultrassonografia de abdome superior que evidenciou colédoco medindo 9,0mm.Indique a conduta terapêutica adequada para tratar esse paciente:
Icterícia + Colédoco > 6mm no USG → CPRE para desobstrução da via biliar principal.
A dilatação do colédoco (9mm) associada à icterícia e dor abdominal sugere coledocolitíase, exigindo CPRE para remoção do cálculo e prevenção de colangite.
A coledocolitíase ocorre pela migração de cálculos da vesícula biliar para o colédoco ou, menos comumente, pela formação primária de cálculos no ducto. O quadro clínico clássico envolve dor em hipocôndrio direito e icterícia flutuante. O ultrassom é o exame de triagem inicial, mas possui baixa sensibilidade para visualizar o cálculo no colédoco distal, baseando-se na dilatação ductal como marcador indireto. A conduta depende da probabilidade de coledocolitíase. Segundo os critérios da ASGE, pacientes com colangite, cálculo visível no USG ou bilirrubina total > 4mg/dL associada a colédoco dilatado são de alto risco e devem ser submetidos diretamente à CPRE. A CPRE é tanto diagnóstica quanto terapêutica, permitindo a resolução da obstrução biliar antes da colecistectomia eletiva.
Em pacientes com icterícia franca e colédoco dilatado, a prioridade é a desobstrução da via biliar principal para evitar complicações graves como colangite aguda e pancreatite biliar. A CPRE permite a papilotomia e a extração dos cálculos de forma minimamente invasiva antes do tratamento definitivo da vesícula biliar.
Em adultos não colecistectomizados, o diâmetro normal do colédoco é de até 6mm. Valores acima de 6-7mm são considerados dilatados e, na presença de icterícia ou alteração de enzimas hepáticas, aumentam significativamente a probabilidade de coledocolitíase.
As complicações mais comuns incluem pancreatite pós-CPRE (a mais frequente), sangramento após papilotomia, colangite ascendente e perfuração duodenal. O procedimento deve ser reservado para casos com alta probabilidade de obstrução biliar.
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