HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Paciente com quadro de colelitíase conhecida, evoluindo com dor em andar superior do abdome que cede com analgésicos orais, associada a vômitos volumosos sem outros sintomas sistêmicos. Ao exame é possível identificar icterícia 2+/4+ e colúria. A que complicação esse quadro se relaciona?
Dor biliar + Icterícia obstrutiva (colúria) = Coledocolitíase até que se prove o contrário.
A presença de icterícia e colúria indica obstrução do fluxo biliar para o duodeno, sugerindo que o cálculo migrou da vesícula para o ducto colédoco.
A coledocolitíase é uma complicação comum da colelitíase, ocorrendo em cerca de 10-15% dos pacientes com cálculos na vesícula. A fisiopatologia envolve a migração de cálculos através do ducto cístico para a via biliar principal. A obstrução resultante aumenta a pressão intraductal, levando à regurgitação de bilirrubina conjugada para a corrente sanguínea, o que clinicamente se traduz em icterícia e colúria. O diagnóstico inicial é clínico e laboratorial, seguido por ultrassonografia de abdome, que pode mostrar dilatação das vias biliares (> 6mm). Métodos mais sensíveis incluem a colangiorressonância (CPRM) e a ecoendoscopia. O tratamento definitivo geralmente requer a remoção do cálculo via CPRE ou exploração cirúrgica da via biliar, associada à colecistectomia posterior para evitar recorrências.
A colelitíase refere-se à presença de cálculos apenas dentro da vesícula biliar, manifestando-se geralmente como cólica biliar episódica sem icterícia. Já a coledocolitíase ocorre quando um cálculo obstrui o ducto colédoco, impedindo a drenagem da bile para o intestino. Isso resulta em icterícia (acúmulo de bilirrubina direta), colúria (excreção renal de bilirrubina) e, por vezes, acolia fecal, além da dor abdominal persistente.
A diferenciação é baseada na presença de infecção. A coledocolitíase apresenta obstrução mecânica (dor e icterícia). A colangite aguda é uma emergência médica caracterizada pela infecção bacteriana da bile obstruída, manifestando-se pela Tríade de Charcot: febre com calafrios, icterícia e dor no hipocôndrio direito. Se houver hipotensão e alteração do nível de consciência, temos a Pêntade de Reynolds.
Laboratorialmente, a obstrução biliar se manifesta pelo aumento predominante da bilirrubina direta e das enzimas de colestase: Fosfatase Alcalina (FA) e Gama-GT (GGT). As transaminases (AST/ALT) podem ter uma elevação transitória e aguda logo após a obstrução, mas o padrão colestático persistente é o que define o quadro de coledocolitíase no acompanhamento.
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