Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021
Mulher de 45 anos, submetida acolecistectomiavideolaparoscópica por colelitíase há 1 ano. Evoluindo com icterícia de padrão obstrutivo e, durante investigação diagnóstica, é constatado quadro de coledocolitíase em colangiorressonância. Qual seria sua conduta?
Coledocolitíase pós-colecistectomia com icterícia obstrutiva → CPER é a conduta de escolha para diagnóstico e tratamento.
A coledocolitíase pós-colecistectomia, manifestada por icterícia obstrutiva, indica a presença de cálculos na via biliar principal. A CPER é o método de escolha, pois permite tanto o diagnóstico confirmatório quanto o tratamento endoscópico, como a esfincterotomia e a extração dos cálculos.
A coledocolitíase é a presença de cálculos na via biliar principal (ducto colédoco). Embora a maioria dos casos esteja associada à colelitíase, a coledocolitíase pós-colecistectomia pode ocorrer devido a cálculos residuais não detectados durante a cirurgia ou à formação de novos cálculos na via biliar. A manifestação clínica mais comum é a icterícia obstrutiva, que pode ser acompanhada de dor abdominal, colúria, acolia fecal e, em casos de infecção, febre e calafrios (colangite). O diagnóstico é frequentemente suspeitado por exames laboratoriais (aumento de bilirrubinas, fosfatase alcalina, gama-GT) e confirmado por exames de imagem como a ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada ou, mais especificamente, a colangiorressonância (CPRM), que oferece excelente visualização da árvore biliar sem ser invasiva. A CPRM é ideal para o diagnóstico, mas não permite intervenção. Uma vez confirmada a coledocolitíase, a Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPER) é a conduta de escolha. A CPER é um procedimento endoscópico que permite a visualização direta da ampola de Vater, a realização de esfincterotomia (corte do esfíncter de Oddi) e a extração dos cálculos com balão ou cesta, ou a colocação de próteses biliares em casos complexos. É um método eficaz e menos invasivo que a cirurgia para a desobstrução biliar. A exploração cirúrgica de vias biliares é geralmente reservada para falha da CPER ou em situações específicas.
Os sintomas incluem icterícia (coloração amarelada da pele e olhos), dor abdominal em quadrante superior direito, febre com calafrios (colangite) e urina escura, indicando obstrução biliar.
A CPER é o método de escolha porque é um procedimento terapêutico e diagnóstico minimamente invasivo, que permite a visualização direta da ampola de Vater, a realização de esfincterotomia e a extração dos cálculos, resolvendo a obstrução.
As principais complicações da CPER incluem pancreatite pós-CPER, hemorragia (especialmente após esfincterotomia), perfuração duodenal ou biliar, e infecção (colangite).
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