CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 35 anos, é transferida de Manacapuru para investigação diagnóstica e continuidade de tratamento. Estava internada por 3 dias com história de dor tipo cólica em HD associada a vômitos, após alimentação rica em gordura, sendo tratada clinicamente com analgésicos e antiespasmódicos. À admissão em Manaus, encontrava-se em BEG, lúcida, eupneica, ictérica +/4, normotensa. Seu abdome era globoso, doloroso ã palpação profunda em HD, sem irritação peritoneal. Sua investigação laboratorial evidenciou leucograma 7.500 leucócitos, hemoglobina 12g/dl e hematócrito 38%, transaminases normais, bilirrubina total 3,5mg/dl, bilirrubina direta 3,2mg/dl, fosfatase alcalina 350mg/dl, Gama GT 680mg/dl e amilase 120mg/dl. O paciente foi submetido a ultrassom à beira do leito que evidenciou vesícula de paredes finas contendo microcálculos e via biliar principal de 1cm de diâmetro. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa INCORRETA:
Coledocolitíase com colangite: CPRE urgente para desobstrução, colecistectomia eletiva pós-melhora.
O quadro clínico e laboratorial (dor em HD, icterícia, bilirrubina direta, FA, GGT elevadas, via biliar dilatada) é altamente sugestivo de coledocolitíase com colangite. A CPRE é o tratamento de escolha para desobstrução da via biliar, mas a colecistectomia deve ser realizada precocemente (na mesma internação ou em até 72h) para evitar novos episódios.
A coledocolitíase é a presença de cálculos na via biliar principal (ducto colédoco), sendo uma complicação comum da colelitíase. O quadro clínico típico inclui dor tipo cólica em hipocôndrio direito, icterícia, colúria e acolia fecal. Quando associada a febre e calafrios, configura colangite aguda, uma emergência médica que pode levar a sepse. O diagnóstico é sugerido por exames laboratoriais (elevação de bilirrubina direta, FA, GGT) e confirmado por exames de imagem como ultrassonografia (que pode mostrar dilatação da via biliar e, ocasionalmente, cálculos no colédoco), colangiorressonância ou ultrassonografia endoscópica. O manejo da coledocolitíase depende da presença de complicações. Em casos de colangite aguda, a desobstrução da via biliar é urgente, sendo a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) o método de escolha para remoção dos cálculos. A CPRE permite a esfincterotomia e a extração dos cálculos, aliviando a obstrução e a infecção. A ultrassonografia endoscópica (USE) é uma ferramenta diagnóstica de alta sensibilidade para detectar cálculos no colédoco, especialmente microcálculos, e pode ser combinada com a CPRE no mesmo procedimento. Após a desobstrução bem-sucedida da via biliar, a colecistectomia laparoscópica é fundamental para remover a fonte dos cálculos (a vesícula biliar) e prevenir recorrências. A colecistectomia deve ser realizada precocemente, idealmente durante a mesma internação ou em até 72 horas após a CPRE, para evitar novos episódios de coledocolitíase ou colangite. Adiar a colecistectomia por semanas aumenta o risco de complicações. A abordagem laparoscópica para a via biliar principal, embora mais complexa, pode ser uma alternativa à CPRE em centros com cirurgiões experientes.
Os indicadores laboratoriais incluem elevação da bilirrubina total, com predomínio da bilirrubina direta, aumento da fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT). As transaminases podem estar elevadas transitoriamente, e a amilase/lipase podem indicar pancreatite biliar.
Em casos de colangite aguda, a prioridade é a desobstrução da via biliar, geralmente por CPRE com esfincterotomia e extração de cálculos. Após a resolução da colangite, a colecistectomia laparoscópica deve ser realizada, idealmente na mesma internação ou em até 72 horas, para prevenir novos episódios.
Os riscos da CPRE incluem pancreatite pós-CPRE (o mais comum), perfuração duodenal ou biliar, hemorragia e colangite. A pancreatite é uma complicação séria e deve ser prevenida com técnicas adequadas e, em alguns casos, uso de AINEs retais.
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