MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma mulher de 66 anos procura o pronto-atendimento com história de dor abdominal em cólica no hipocôndrio direito há 48 horas, com melhora parcial após uso de analgésicos, mas refere que a urina tornou-se mais escura desde o início do quadro. Ao exame físico, encontra-se anictérica, afebril e hemodinamicamente estável. O sinal de Murphy é negativo. Os exames laboratoriais revelam: Bilirrubina Total de 2,2 mg/dL (Bilirrubina Direta de 1,7 mg/dL), Fosfatase Alcalina de 210 U/L (referência até 120 U/L) e GGT de 180 U/L (referência até 60 U/L). A ultrassonografia de abdome demonstra vesícula biliar com múltiplos cálculos e paredes finas, além de colédoco com calibre de 8 mm, sem evidência de cálculos em seu interior. Diante da estratificação de risco para coledocolitíase, a conduta mais adequada para o próximo passo diagnóstico é:
Risco intermediário de coledocolitíase (BD 1.8-4 ou colédoco >6mm) → CPRM ou Ecoendoscopia.
A conduta na suspeita de coledocolitíase depende da estratificação de risco; pacientes com critérios de risco intermediário exigem exames de imagem não invasivos antes da intervenção.
A coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto colédoco, podendo ser primária ou secundária à migração da vesícula biliar. A estratificação de risco é fundamental para evitar procedimentos invasivos desnecessários, como a CPRE, que possui riscos inerentes como pancreatite pós-CPRE. A paciente do caso apresenta bilirrubina direta elevada e colédoco de 8mm, o que a enquadra no risco intermediário. A ultrassonografia é o exame inicial, mas possui baixa sensibilidade para cálculos no colédoco distal. A CPRM e a ecoendoscopia (EUS) são os métodos de escolha para confirmação diagnóstica em casos duvidosos, permitindo selecionar adequadamente quem se beneficiará da intervenção endoscópica.
Os critérios de alto risco, que indicam a realização direta de CPRE, incluem a visualização de cálculo no colédoco pela ultrassonografia, bilirrubina total acima de 4 mg/dL ou a presença de colangite aguda ascendente. Nesses casos, a probabilidade de obstrução biliar por cálculo é superior a 50%, justificando a abordagem terapêutica imediata.
A CPRM é indicada para pacientes com risco intermediário de coledocolitíase. Isso inclui pacientes com exames bioquímicos hepáticos alterados (FA, GGT ou transaminases), idade superior a 55 anos, colédoco dilatado na ultrassonografia (> 6 mm) ou bilirrubina total entre 1,8 e 4 mg/dL. É um exame com alta sensibilidade e especificidade, porém não terapêutico.
Pacientes com colelitíase sintomática mas sem preditores de coledocolitíase (exames laboratoriais normais e colédoco de calibre normal) são classificados como baixo risco. A conduta recomendada é a colecistectomia videolaparoscópica eletiva, sem a necessidade de investigação adicional da via biliar principal no pré-operatório.
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