HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025
Paciente 90 anos, hipertenso, portador de estenose aórtica moderada, apresentando quadro de icterícia associado a colúria e acolia fecal. Refere estar amarelo há cerca de dois dias, negando febre, calafrios ou outros sintomas. Apresenta histórico cirúrgico de colectomia direita há 6 anos e colecistectomia videolaparoscopica há 2 por colecistite aguda. Realizados USG de abdômen e colangioressonancia, com colédoco medindo 1,2 cm com cálculos em seu interior, presença de lesão cística na cabeça do pâncreas de 0,8mm sugestiva de IPMN. Sobre o caso acima, qual a melhor conduta a ser adotada no momento:\\n\\n
Icterícia obstrutiva + cálculos no colédoco → CPRE com esfincterotomia e extração.
Em pacientes com coledocolitíase confirmada por imagem (colangio-RM), a conduta de escolha é a desobstrução biliar via CPRE, independentemente de achados incidentais como pequenos cistos pancreáticos.
A coledocolitíase em pacientes idosos e colecistectomizados frequentemente se apresenta como icterícia obstrutiva indolor. A investigação inicial com ultrassonografia pode sugerir dilatação ductal, mas a colangioressonância (CPRM) é o exame não invasivo de escolha para mapear a anatomia biliar e localizar cálculos. O tratamento definitivo visa a desobstrução para prevenir complicações graves como colangite aguda e pancreatite biliar. A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é preferida por ser minimamente invasiva, permitindo a esfincterotomia e extração dos cálculos com alta taxa de sucesso. Achados incidentais, como pequenos cistos pancreáticos (IPMN), devem ser documentados mas não devem retardar o tratamento da patologia biliar aguda, seguindo protocolos de vigilância ambulatorial posterior.
A CPRE está indicada quando há alta probabilidade de cálculos no colédoco, evidenciada por exames de imagem (USG, Colangio-RM) ou critérios clínicos/laboratoriais (icterícia persistente, colangite). O procedimento permite a esfincterotomia e a remoção mecânica dos cálculos, sendo o padrão-ouro terapêutico para desobstrução biliar em pacientes sintomáticos ou com risco de complicações.
Pequenos cistos pancreáticos (< 1cm) sugestivos de IPMN de ductos secundários sem 'stigmata' de malignidade (nódulos murais, dilatação do ducto principal) geralmente requerem apenas acompanhamento radiológico periódico, não sendo a prioridade em quadros agudos de obstrução biliar. O foco deve ser a resolução da patologia biliar obstrutiva antes da investigação do cisto.
A coledocolitíase é a presença do cálculo no ducto biliar. A colangite ocorre quando há infecção bacteriana ascendente devido à obstrução, caracterizada pela Tríade de Charcot (febre, dor abdominal e icterícia). O tratamento da colangite exige antibioticoterapia sistêmica e drenagem biliar urgente, enquanto a coledocolitíase simples pode ser manejada de forma eletiva ou semi-urgente.
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