PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher, 37 anos, sem comorbidades, realizou ultrassonografia abdominal para avaliação de dor pélvica bem localizada e mal caracterizada. O exame revelou cisto ovariano de médio tamanho, sem sinais de complicação/gravidade e colecistolitíase (cálculo único de 3cm), sem dilatação de vias biliares intra e extra-hepática. Sem outras queixas e achados relevantes ao exame físico. Em relação ao caso clínico acima, assinale a alternativa CORRETA:
Colecistolitíase assintomática: orientar sobre história natural e riscos/benefícios da colecistectomia.
Em pacientes com colecistolitíase assintomática, a conduta inicial é a observação. É crucial orientar o paciente sobre a história natural da doença, os sintomas de complicação e os riscos e benefícios da colecistectomia, permitindo uma decisão informada caso os sintomas surjam.
A colecistolitíase, ou presença de cálculos na vesícula biliar, é uma condição comum, com prevalência que aumenta com a idade, sexo feminino, obesidade e multiparidade. A maioria dos pacientes com cálculos biliares é assintomática, e o achado é incidental em exames de imagem. A importância clínica reside no potencial de desenvolvimento de sintomas e complicações graves, como cólica biliar, colecistite aguda, pancreatite biliar e colangite. O manejo da colecistolitíase assintomática é um tópico frequente em provas de residência e na prática clínica. A fisiopatologia da formação dos cálculos biliares envolve um desequilíbrio entre os componentes da bile, levando à supersaturação e precipitação de colesterol ou bilirrubinato. O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia abdominal. A suspeita de colecistolitíase assintomática ocorre quando os cálculos são encontrados incidentalmente. É crucial diferenciar a dor pélvica da paciente, que pode estar relacionada ao cisto ovariano, da dor biliar, que é tipicamente epigástrica ou em hipocôndrio direito, pós-prandial e irradiando para o dorso ou ombro direito. O tratamento da colecistolitíase assintomática é, na maioria dos casos, expectante. A colecistectomia profilática é reservada para grupos de alto risco, como pacientes com cálculos grandes (>3 cm), vesícula em porcelana, anomalias congênitas da via biliar, ou em situações específicas como pré-transplante ou cirurgia bariátrica. A conduta mais adequada é orientar o paciente sobre a história natural da doença, os sintomas de alarme que indicam complicações e os riscos e benefícios da colecistectomia videolaparoscópica, permitindo que ele tome uma decisão informada caso os sintomas se manifestem. O prognóstico para pacientes assintomáticos é geralmente bom, com baixo risco de complicações graves se bem orientados.
A colecistectomia profilática é geralmente indicada em pacientes com cálculos biliares assintomáticos que apresentam alto risco de complicações, como cálculos maiores que 3 cm, vesícula em porcelana, anemia falciforme, pacientes em lista de espera para transplante ou que farão cirurgia bariátrica.
A maioria dos pacientes com colecistolitíase assintomática permanece assintomática ao longo da vida. Cerca de 1-2% ao ano desenvolvem sintomas ou complicações, como cólica biliar, colecistite aguda, pancreatite biliar ou colangite.
A litotripsia extracorpórea tem indicações muito restritas para litíase biliar, sendo eficaz apenas para cálculos únicos, pequenos e não calcificados. Sua taxa de sucesso é limitada, e a colecistectomia videolaparoscópica é o padrão-ouro para o tratamento sintomático devido à sua alta eficácia e segurança.
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