PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher, 37 anos, sem comorbidades, realizou ultrassonografia abdominal para avaliação de dor pélvica bem localizada e mal caracterizada. O exame revelou cisto ovariano de médio e tamanho, sem sinais de complicação/gravidade e colecistolitíase (cálculo único de 3cm), sem dilatação de vias biliares intra e extra-hepática. Sem outras queixas e achados relevantes ao exame físico. Em relação ao caso clínico acima, assinale a alternativa CORRETA:
Cálculo biliar > 3cm → ↑ risco de neoplasia → considerar colecistectomia mesmo se assintomático.
Pacientes com colecistolitíase assintomática devem ser informados sobre a história natural da doença e os riscos/benefícios da cirurgia, especialmente quando há fatores de risco para câncer.
A colecistolitíase é uma condição extremamente comum, frequentemente diagnosticada incidentalmente em exames de imagem. A história natural mostra que a maioria dos pacientes permanecerá assintomática por toda a vida. No entanto, a transição para a fase sintomática ou o surgimento de complicações como colecistite aguda, pancreatite biliar ou colangite exige intervenção.\n\nNo caso de cálculos volumosos (> 3cm), a preocupação desloca-se da obstrução ductal para o risco oncológico. A colecistectomia videolaparoscópica é o padrão-ouro para o tratamento, oferecendo rápida recuperação. O papel do médico é realizar uma decisão compartilhada, pesando o risco cirúrgico da paciente (baixo em jovens sem comorbidades) contra o risco cumulativo de eventos biliares e neoplasia ao longo das décadas.
Embora a maioria dos pacientes assintomáticos possa ser observada, a colecistectomia está indicada em situações de maior risco de complicações ou neoplasia: 1) Cálculos maiores que 3 cm (devido ao risco aumentado de câncer de vesícula); 2) Vesícula em porcelana (calcificação da parede); 3) Pólipos de vesícula associados a cálculos ou pólipos > 1 cm; 4) Anemias hemolíticas crônicas (risco de cálculos de repetição e crises); 5) Anomalias congênitas do ducto biliar. Em pacientes jovens, a longa expectativa de vida também pode pesar na decisão compartilhada.
Cálculos grandes, especificamente aqueles com diâmetro superior a 3 cm, causam uma irritação crônica e mecânica mais intensa na mucosa da vesícula biliar. Esse processo inflamatório persistente está epidemiologicamente associado a um risco significativamente maior de transformação maligna para adenocarcinoma de vesícula biliar. Por isso, mesmo na ausência de dor (cólica biliar), a cirurgia profilática é frequentemente discutida e recomendada nesses casos.
Para a maioria dos pacientes com cálculos pequenos (< 2-3 cm) e sem sintomas, a conduta inicial é o manejo expectante. A taxa de progressão para sintomas é de cerca de 1-2% ao ano. O paciente deve ser orientado sobre os sinais de alerta (dor em hipocôndrio direito, náuseas após refeições gordurosas, icterícia) e sobre a história natural da doença. A decisão pela cirurgia deve ser individualizada, considerando comorbidades e a preferência do paciente após esclarecimento dos riscos operatórios versus riscos de complicações futuras.
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