Colecistite Xantogranulomatosa: Diagnóstico e Desafios

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente com quadro de dor abdominal há 2 meses, com emagrecimento de 10kg neste período, fez ultrassonografia abdominal, que evidenciou espessamento da parede da vesícula biliar . Exame complementado com TC do abdome com estudo trifásico, apresentando lesão no fundo da vesícula biliar e invasão do segmento IVb do fígado, com realce do contraste. Foi submetida a cirurgia convencional com biópsia. O laudo da patologia foi: Presença de abundantes histiócitos com citoplasma espumoso, reação granulomatosa com células gigantes, sais biliares e cristais de colesterol em infiltrado inflamatório crônico tipo 'invasivo'.Pergunta-se: Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Colecistite crônica calcificante.
  2. B) Colecistite aguda linfocitoclástica.
  3. C) Colecistite xantogranulomatosa.
  4. D) Colecistite histiogranulomatosa.
  5. E) Adenocarcinoma de vesícula biliar.

Pérola Clínica

Colecistite xantogranulomatosa = inflamação crônica invasiva com histiócitos espumosos, mimetizando adenocarcinoma de vesícula.

Resumo-Chave

A colecistite xantogranulomatosa é uma forma rara de inflamação crônica da vesícula biliar, caracterizada histologicamente por histiócitos espumosos, células gigantes e cristais de colesterol. Clinicamente e radiologicamente, pode simular um adenocarcinoma de vesícula biliar devido ao espessamento da parede e possível invasão de órgãos adjacentes, tornando o diagnóstico diferencial um desafio.

Contexto Educacional

A colecistite xantogranulomatosa (CXG) é uma forma rara e destrutiva de colecistite crônica, caracterizada por um processo inflamatório granulomatoso com acúmulo de lipídios. Sua etiologia é incerta, mas acredita-se que esteja relacionada à ruptura de seios de Rokitansky-Aschoff, extravasamento de bile e subsequente reação inflamatória com macrófagos. A condição é clinicamente relevante devido à sua capacidade de mimetizar o adenocarcinoma de vesícula biliar, tanto nos sintomas quanto nos achados radiológicos. Os achados de imagem, como ultrassonografia e tomografia computadorizada, frequentemente revelam espessamento da parede da vesícula biliar, nódulos intramurais e, em casos avançados, invasão de estruturas adjacentes como o fígado, o que aumenta a suspeita de malignidade. Pacientes podem apresentar dor abdominal crônica, perda de peso e icterícia, sintomas que também são comuns no câncer de vesícula. O diagnóstico definitivo da CXG é histopatológico, revelando a tríade de histiócitos espumosos, células gigantes tipo corpo estranho e infiltrado inflamatório crônico com cristais de colesterol. O tratamento geralmente envolve colecistectomia, mas a extensão da cirurgia pode ser mais complexa se houver invasão local, exigindo uma abordagem cuidadosa para diferenciar de neoplasias e evitar ressecções desnecessárias. O conhecimento dessa entidade é crucial para cirurgiões e patologistas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características histopatológicas da colecistite xantogranulomatosa?

A colecistite xantogranulomatosa é caracterizada pela presença de abundantes histiócitos com citoplasma espumoso (macrófagos carregados de lipídios), reação granulomatosa com células gigantes, sais biliares e cristais de colesterol, em meio a um infiltrado inflamatório crônico.

Por que a colecistite xantogranulomatosa pode ser confundida com adenocarcinoma de vesícula biliar?

Tanto a colecistite xantogranulomatosa quanto o adenocarcinoma podem apresentar espessamento da parede da vesícula biliar, massas e até invasão de órgãos adjacentes (como o fígado) em exames de imagem, além de sintomas inespecíficos como dor abdominal e perda de peso.

Qual a importância da biópsia no diagnóstico da colecistite xantogranulomatosa?

A biópsia é fundamental para diferenciar a colecistite xantogranulomatosa do adenocarcinoma, pois apenas a análise histopatológica pode confirmar a natureza benigna da lesão inflamatória e guiar o tratamento adequado, evitando cirurgias mais radicais desnecessárias.

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