SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Homem, 55 anos. Dor em hipocôndrio D. há 3 anos. Perda de 3 kg neste período. Anictérico. Massa palpável 3 cm abaixo do rebordo costal D. USG não define origem da massa. Realizou TC abaixo que sugere neoplasia de vesícula biliar.Qual o diagnóstico diferencial mais provável?
Massa em vesícula biliar com dor crônica e perda de peso → Colecistite xantogranulomatosa é importante DD de neoplasia.
A colecistite xantogranulomatosa é uma forma rara de colecistite crônica que pode simular clinicamente e radiologicamente um carcinoma de vesícula biliar devido à presença de massa, espessamento da parede e infiltração tecidual. A biópsia ou a análise histopatológica pós-colecistectomia são frequentemente necessárias para o diagnóstico definitivo.
A colecistite xantogranulomatosa (CXG) é uma forma rara e crônica de inflamação da vesícula biliar, caracterizada pela presença de macrófagos espumosos (células xantomatosas), fibrose e infiltrado inflamatório. Clinicamente, pode apresentar-se com dor abdominal crônica em hipocôndrio direito, perda de peso e massa palpável, sintomas que se sobrepõem significativamente aos do carcinoma de vesícula biliar. Essa sobreposição torna a CXG um dos diagnósticos diferenciais mais desafiadores para o câncer de vesícula biliar. A fisiopatologia da CXG envolve a ruptura de seios de Rokitansky-Aschoff, extravasamento de bile para a parede da vesícula, e uma resposta inflamatória granulomatosa com acúmulo de macrófagos carregados de lipídios. Radiologicamente, tanto a ultrassonografia quanto a tomografia computadorizada podem mostrar espessamento da parede da vesícula biliar, nódulos intramurais e, em casos avançados, invasão de órgãos adjacentes, tornando a distinção com o carcinoma extremamente difícil apenas por imagem. Devido à dificuldade diagnóstica pré-operatória, a colecistectomia é frequentemente realizada com a suspeita de malignidade. O diagnóstico definitivo é histopatológico, revelando as características inflamatórias e xantomatosas. O prognóstico da CXG é bom após a colecistectomia, mas a importância reside na sua capacidade de mimetizar o carcinoma, exigindo um alto índice de suspeita e uma abordagem cirúrgica adequada para garantir o diagnóstico correto e o tratamento definitivo.
Dor crônica em hipocôndrio direito, massa palpável, perda de peso e, ocasionalmente, icterícia ou febre, mimetizando um carcinoma de vesícula biliar.
Na TC, pode-se observar espessamento difuso ou focal da parede da vesícula biliar, nódulos intramurais hipodensos (xantogranulomas), e, por vezes, extensão para órgãos adjacentes, dificultando a diferenciação com neoplasia.
O tratamento definitivo é a colecistectomia, que também permite o diagnóstico histopatológico final e a exclusão de malignidade. Em casos de invasão local, pode ser necessária uma ressecção mais extensa.
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