HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020
Paciente com quadro de dor abdominal há 2 meses, com emagrecimento de 10kg neste período, fez ultrassonografia abdominal, que evidenciou lesão na vesícula biliar. Exame complementado com TC do abdome com estudo trifásico, apresentando lesão no fundo da vesícula biliar e invasão do segmento IVb do fígado, com realce do contraste. Foi submetida a cirurgia convencional com biópsia. O laudo da patologia foi: Presença de abundantes histiócitos com citoplasma espumoso, reação granulomatosa com células gigantes, sais biliares e cristais de colesterol em infiltrado inflamatório crônico tipo ""invasivo"". Pergunta-se: Qual o diagnóstico?
Lesão vesícula biliar + histiócitos espumosos, células gigantes, cristais colesterol → Colecistite Xantogranulomatosa.
A colecistite xantogranulomatosa é uma forma rara de colecistite crônica caracterizada por inflamação granulomatosa com histiócitos espumosos (macrófagos carregados de lipídios), células gigantes e cristais de colesterol, que pode simular malignidade devido à sua natureza invasiva.
A colecistite xantogranulomatosa (CXG) é uma forma rara e benigna de colecistite crônica, caracterizada por uma inflamação granulomatosa destrutiva da parede da vesícula biliar. Sua importância clínica reside na sua capacidade de mimetizar clinicamente e radiologicamente o adenocarcinoma de vesícula biliar, uma neoplasia agressiva com prognóstico reservado. A CXG é mais comum em pacientes com litíase biliar e colecistite crônica. O diagnóstico definitivo da CXG é histopatológico. Macroscopicamente, a vesícula pode apresentar espessamento difuso ou focal da parede, com nódulos amarelados. Microscopicamente, a característica distintiva é a presença de abundantes histiócitos com citoplasma espumoso (macrófagos carregados de lipídios), células gigantes multinucleadas tipo corpo estranho, reação granulomatosa e cristais de colesterol, em meio a um infiltrado inflamatório crônico. A invasão de tecidos adjacentes, como o fígado, pode ocorrer, aumentando a dificuldade no diagnóstico diferencial pré-operatório. Devido à dificuldade em diferenciar a CXG do adenocarcinoma pré-operatoriamente, muitos casos são submetidos a ressecções cirúrgicas mais extensas, como colecistectomia radical com ressecção hepática, até que o diagnóstico benigno seja confirmado pela patologia. O prognóstico da CXG é excelente após a ressecção cirúrgica completa, contrastando drasticamente com o do adenocarcinoma. Portanto, o reconhecimento das características patológicas é crucial para evitar tratamentos desnecessariamente agressivos para uma condição benigna.
A colecistite xantogranulomatosa é caracterizada por um infiltrado inflamatório crônico com abundantes histiócitos com citoplasma espumoso (macrófagos carregados de lipídios), células gigantes tipo corpo estranho, reação granulomatosa e cristais de colesterol.
Clinicamente e radiologicamente, a colecistite xantogranulomatosa pode apresentar espessamento da parede da vesícula, massas e invasão de órgãos adjacentes, simulando um adenocarcinoma, o que torna o diagnóstico histopatológico crucial.
A etiologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que resulte de uma inflamação crônica severa da vesícula biliar, frequentemente associada à litíase biliar, com extravasamento de bile para a parede da vesícula, desencadeando uma reação inflamatória granulomatosa.
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