SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Paciente masculino, 76 anos, apresentando dor no hipocôndrio direito há dez dias. A dor teve início abrupto, com piora ao longo da evolução, sendo que, atualmente, tem forte intensidade. Febre de 38 °C. Procurou serviço de emergência e, mediante suspeita de abdome agudo inflamatório, foi solicitada tomografia computadorizada que revelou realce da parede vesicular após injeção do contraste venoso, além de coleção líquida com gás de permeio no leito da vesícula biliar. Foi indicada laparotomia exploradora de urgência. Com base nos dados clínicos expostos, qual foi a suspeita diagnóstica que motivou a indicação da cirurgia?
Dor HD + febre em idoso/diabético + suspeita abdome agudo inflamatório → considerar colecistite enfisematosa (gás na vesícula).
A colecistite enfisematosa é uma forma grave e rara de colecistite aguda, caracterizada pela presença de gás na parede ou lúmen da vesícula biliar, causada por microrganismos produtores de gás. É mais comum em idosos, diabéticos e imunocomprometidos, e requer intervenção cirúrgica urgente devido ao alto risco de perfuração e sepse.
A colecistite enfisematosa é uma forma rara e grave de colecistite aguda, caracterizada pela presença de gás na parede da vesícula biliar, na luz ou nos tecidos perivesiculares. Representa uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade. A epidemiologia mostra que é mais comum em homens, idosos e, principalmente, em pacientes com diabetes mellitus, que têm maior suscetibilidade a infecções por microrganismos produtores de gás. A importância clínica reside na rápida progressão para necrose, perfuração e sepse, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos. A fisiopatologia envolve a oclusão do ducto cístico, isquemia da parede da vesícula e infecção por bactérias produtoras de gás, como Clostridium perfringens, Escherichia coli e Klebsiella. A isquemia favorece o crescimento desses anaeróbios e facultativos, que fermentam os carboidratos presentes na bile e tecidos, produzindo gás. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por dor em hipocôndrio direito, febre e sinais de sepse, especialmente em pacientes de risco. A confirmação é feita por exames de imagem: ultrassonografia pode mostrar ecos hiperecogênicos com sombra acústica suja na parede da vesícula, e a tomografia computadorizada é o método mais sensível para detectar o gás. O tratamento da colecistite enfisematosa é uma emergência cirúrgica. Consiste em ressuscitação volêmica, antibioticoterapia de amplo espectro (com cobertura para anaeróbios) e colecistectomia urgente. A drenagem percutânea pode ser uma opção temporária para pacientes instáveis. O prognóstico é reservado e depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção. Pontos de atenção incluem a necessidade de um alto índice de suspeita em pacientes de risco e a agressividade no manejo para evitar complicações fatais como gangrena, perfuração e sepse generalizada.
Os principais fatores de risco para colecistite enfisematosa incluem idade avançada (idosos), diabetes mellitus, imunocomprometimento e doença vascular periférica. Esses pacientes têm maior propensão a infecções por microrganismos produtores de gás.
O diagnóstico da colecistite enfisematosa é feito principalmente por exames de imagem. A ultrassonografia pode mostrar gás na parede da vesícula ou na luz, mas a tomografia computadorizada (TC) é mais sensível para detectar pequenas quantidades de gás e avaliar a extensão da doença.
A conduta inicial para um paciente com suspeita de colecistite enfisematosa inclui estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro (com cobertura para anaeróbios e Gram-negativos) e, crucialmente, intervenção cirúrgica urgente (colecistectomia) devido ao alto risco de perfuração e sepse.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo