SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Um paciente de 68 anos de idade, portador de HAS e diabetes mellitus (DM) insulinodependente de difícil controle, procurou uma unidade de pronto atendimento com queixa de dor de forte intensidade no hipocôndrio direito há 48 horas. Associa-se ao quadro náusea e um episódio de vômito, além de febre (38 ºC). Fez uso de analgésicos, com pouca melhora dos sintomas. Como medidas iniciais, realizou exames laboratoriais e tomografia computadorizada de abdome.No que tange ao caso clínico apresentado, qual o principal organismo envolvido no desenvolvimento dessa patologia?
Idoso + DM + Gás na parede da vesícula = Colecistite Enfisematosa (Clostridium).
A colecistite enfisematosa é uma variante grave da colecistite aguda, comum em diabéticos, causada por isquemia e infecção por germes produtores de gás, exigindo cirurgia imediata.
A colecistite enfisematosa é uma emergência cirúrgica distinta da colecistite aguda convencional. Sua patogênese está mais ligada à isquemia vascular da artéria cística do que à obstrução do ducto cístico por cálculos. Isso explica por que muitos casos são alitiásicos. A infecção secundária por Clostridium perfringens leva à produção de gás tecidual, resultando em rápida progressão para gangrena e perfuração (até 5 vezes mais frequente que na colecistite comum). O quadro clínico costuma ser mais tóxico e a mortalidade é significativamente maior. O tratamento padrão ouro é a colecistectomia de urgência associada a antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para anaeróbios.
O principal fator de risco é o Diabetes Mellitus, presente em cerca de 30% a 50% dos casos. A microangiopatia diabética predispõe à isquemia da artéria cística, facilitando a proliferação de anaeróbios produtores de gás na parede da vesícula biliar.
Embora a E. coli seja comum em colecistites, na forma enfisematosa os anaeróbios como Clostridium perfringens (antigamente C. welchii) são os protagonistas devido ao ambiente isquêmico, seguidos por Klebsiella e outros coliformes produtores de gás.
O diagnóstico é firmado pela presença de gás no lúmen, na parede da vesícula biliar ou nos tecidos pericolares, visível em radiografia simples ou, preferencialmente, em Tomografia Computadorizada de abdome, que possui maior sensibilidade diagnóstica.
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