Colecistite Enfisematosa: Diagnóstico e Perfil Clínico

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

A respeito da colecistite enfisematosa, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) É causada por uma infecção primária da parede da vesícula biliar.
  2. B) Tem forte associação com a hipertensão arterial sistêmica.
  3. C) O principal germe isolado é a Escherichia coli.
  4. D) Não há formação de gás na vesícula.
  5. E) Acomete homens entre a quinta e a sétima década de vida, sendo até 50% deles portadores de diabetes mellitus.

Pérola Clínica

Colecistite enfisematosa = Homem idoso + Diabético + Gás na parede da vesícula (Clostridium).

Resumo-Chave

Trata-se de uma variante grave da colecistite aguda, caracterizada por isquemia da parede biliar e infecção por germes produtores de gás, exigindo intervenção cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

A colecistite enfisematosa é uma emergência cirúrgica com taxa de mortalidade significativamente superior à colecistite aguda simples (até 15-25%). O perfil epidemiológico clássico é o de homens entre a 5ª e 7ª décadas de vida, frequentemente diabéticos. O diagnóstico é eminentemente radiológico, sendo a Tomografia Computadorizada o padrão-ouro para identificar gás na parede ou no lúmen vesicular. O tratamento envolve estabilização clínica, antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para anaeróbios e colecistectomia de urgência, dada a alta incidência de gangrena e perfuração biliar.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença fisiopatológica para a colecistite comum?

Diferente da colecistite aguda calculosa convencional, onde a obstrução do ducto cístico é o evento primário, na colecistite enfisematosa o evento central é a isquemia da parede da vesícula biliar. A artéria cística é uma artéria terminal, e em pacientes com vasculopatia (como diabéticos), a hipoperfusão favorece a proliferação de bactérias anaeróbias facultativas ou obrigatórias que colonizam a bile, levando à produção de gás dentro do lúmen e da parede vesicular.

Quais são os principais agentes etiológicos envolvidos?

Os organismos mais frequentemente isolados em culturas de bile e parede vesicular na colecistite enfisematosa são o Clostridium perfringens (um anaeróbio produtor de toxinas e gás) e a Escherichia coli. Outros patógenos incluem Klebsiella spp e outros clostrídios. A presença desses microrganismos produtores de gás é o que define a apresentação radiológica clássica da doença, com ar visível no interior ou na parede da vesícula biliar.

Por que o diabetes mellitus é um fator de risco tão importante?

O diabetes mellitus está presente em até 50% dos casos de colecistite enfisematosa. Isso ocorre devido à combinação de microangiopatia diabética, que compromete o fluxo sanguíneo da artéria cística, e o estado de imunossupressão relativa, que facilita a proliferação bacteriana. Além disso, a neuropatia autonômica pode mascarar os sintomas iniciais, levando a diagnósticos tardios quando a vesícula já apresenta sinais de gangrena ou perfuração.

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