Colecistite Enfisematosa: Diagnóstico e Achados de Imagem

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2021

Enunciado

Senhor de 64 anos, portador de diabetes e colelitíase, procura a Emergência referindo início, há 6 horas, de uma dor abdominal de forte intensidade, acompanhada de náusea, discreta distensão abdominal e febre aferida de 38,2 ºC. Ao exame físico, não há sinais de irritação do peritônio, mas o plantonista percebeu crepitações em hipocôndrio direito. A rotina de abdome agudo foi inconclusiva, assim como a ultrassonografia, cujo laudo acusava que “a interposição de gás no lúmen intestinal dificultou a visualização da vesícula biliar”. Em seguida, foi realizada uma TC de abdome, mostrando discreta distensão de alças intestinais e presença de ar na parede da vesícula biliar. Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Pneumatose intestinal
  2. B) Íleo biliar
  3. C) Colangite esclerosante
  4. D) Colecistite enfisematosa

Pérola Clínica

Colecistite enfisematosa = infecção por germes produtores de gás (Clostridium, E. coli) + ar na parede da vesícula biliar, comum em diabéticos.

Resumo-Chave

A colecistite enfisematosa é uma forma grave e rara de colecistite aguda, caracterizada pela presença de gás na parede da vesícula biliar e/ou lúmen, devido à infecção por bactérias produtoras de gás. É mais comum em pacientes diabéticos e imunocomprometidos, e a TC é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A colecistite enfisematosa é uma variante rara e grave da colecistite aguda, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Sua epidemiologia mostra uma predileção por pacientes diabéticos, imunocomprometidos e idosos. É crucial reconhecer essa condição devido à sua rápida progressão para gangrena e perfuração. A fisiopatologia envolve a infecção da vesícula biliar por microrganismos produtores de gás, como Clostridium perfringens, E. coli e Klebsiella. A isquemia da parede da vesícula, comum em diabéticos, favorece o crescimento desses anaeróbios. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por dor abdominal, febre e, ocasionalmente, crepitação. A TC de abdome é o exame padrão-ouro, revelando gás na parede ou lúmen da vesícula. O tratamento da colecistite enfisematosa é uma emergência cirúrgica, consistindo em colecistectomia imediata, associada a antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo anaeróbios. O prognóstico é pior do que na colecistite aguda não enfisematosa, com maior risco de complicações como perfuração, abscesso e sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para colecistite enfisematosa?

Os principais fatores de risco incluem diabetes mellitus, imunossupressão, doença vascular periférica, e obstrução do ducto cístico. Idosos e homens também são mais frequentemente afetados.

Por que a ultrassonografia pode ser inconclusiva na colecistite enfisematosa?

A presença de gás na parede ou lúmen da vesícula biliar pode gerar artefatos e dificultar a visualização das estruturas, tornando a ultrassonografia menos sensível para o diagnóstico definitivo.

Qual o tratamento para colecistite enfisematosa?

O tratamento envolve antibioticoterapia de amplo espectro (com cobertura para anaeróbios) e colecistectomia de urgência, devido ao alto risco de perfuração e sepse.

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