FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Com relação à colecistite enfisematosa, assinale a alternativa correta:
Colecistite enfisematosa = Isquemia + Anaeróbios (Clostridium) + Ar na parede → Emergência cirúrgica!
Diferente da colecistite litiásica comum, a forma enfisematosa é uma variante isquêmica grave, frequentemente associada a homens idosos e diabéticos, exigindo intervenção rápida.
A colecistite enfisematosa é uma forma rara e fulminante de infecção da vesícula biliar. Ela se destaca por ocorrer predominantemente em homens idosos e ter uma associação fortíssima com o Diabetes Mellitus (presente em até 50% dos casos). A ausência de cálculos biliares em até 30-50% dos pacientes reforça a etiologia isquêmica vascular em vez de obstrutiva. A mortalidade é significativamente maior (até 15-25%) do que na colecistite aguda simples devido à rápida progressão para gangrena e perfuração. O manejo exige antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura rigorosa para anaeróbios e gram-negativos, associada à intervenção cirúrgica ou percutânea imediata. O reconhecimento precoce dos sinais de gás na parede vesicular em exames de imagem é o divisor de águas para o prognóstico do paciente.
Ao contrário da colecistite aguda comum, que se inicia com a obstrução do ducto cístico por cálculos, a forma enfisematosa é primariamente um evento isquêmico da artéria cística. Essa isquemia facilita a proliferação de microrganismos anaeróbios, como o Clostridium perfringens, Clostridium oedematiens e a E. coli, que produzem gás dentro do lúmen e na parede da vesícula biliar. Isso leva rapidamente à necrose gangrenosa e apresenta um risco de perfuração cinco vezes maior que a colecistite comum.
O diagnóstico pode ser sugerido pelo raio-X de abdome, que mostra gás na topografia da vesícula biliar. No entanto, a Tomografia Computadorizada (TC) é o padrão-ouro, demonstrando ar na parede vesicular (pneumocolecisto), no lúmen ou nos tecidos perivesiculares. A TC também é superior para identificar complicações como abscessos, pneumoperitônio ou ar nas vias biliares, sendo essencial para o planejamento cirúrgico imediato.
A colecistectomia de urgência é o tratamento definitivo e deve ser realizada na maioria dos casos. Contudo, em pacientes criticamente enfermos, com instabilidade hemodinâmica, sepse grave ou múltiplas comorbidades que conferem um risco anestésico proibitivo, a colecistostomia percutânea guiada por imagem é uma medida de salvamento. Ela permite a drenagem da vesícula infectada e a descompressão do sistema biliar, estabilizando o paciente para uma possível cirurgia definitiva posterior.
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